Passeatas na Colômbia manifestam apoio a negociação de paz com Farc

Dezenas de milhares de colombianos vestidos com camisetas brancas participaram nesta terça-feira de passeatas de apoio à negociação de paz entre o governo e a guerrilha Farc, numa data que marca simbolicamente o início da violência política no país.

Reuters

09 de abril de 2013 | 19h42

O evento, que ocorreu em Bogotá e várias outras cidades, foi organizado por dirigentes de esquerda e teve o apoio do presidente colombiano, Juan Manuel Santos. Coincide com os 65 anos do assassinato do político Jorge Eliecer Gaitán, líder do Partido Liberal.

O processo de paz que acontece em Cuba desde novembro pode ser um trunfo importante para Santos numa eventual candidatura à reeleição em 2014. É provável que o presidente enfrente um candidato do seu antecessor Álvaro Uribe, que apadrinhou a eleição de Santos, mas depois rompeu com ele.

O conservador Uribe é contra o processo de paz, por discordar da hipótese de que líderes guerrilheiros entrem para a vida política sem responder judicialmente por seus crimes.

"O país hoje está se expressando contra a violência, contra essa violência que causou tantas feridas, tanta dor. É um apoio à paz para que não haja mais vítimas", disse Santos, que participou de uma das passeatas na companhia de comandantes militares e de soldados que sofreram ferimentos incapacitantes durante a guerra civil.

"Cada um está se expressando à sua maneira em favor da paz, dessa paz que deve ser para qualquer sociedade um objetivo sublime", acrescentou o presidente, que vestia uma camiseta branca com uma frase em azul: "Minha contribuição é acreditar".

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia também manifestaram apoio às passeatas. "Esta grande manifestação do povo, maciçamente mobilizado, é a expressão desse espírito coletivo, dessa grande aspiração nacional com a qual nos identificamos todos os que amam a Colômbia. É um grande clamor pela paz", afirmou o grupo rebelde em nota divulgada em Havana.

O agricultor Gustavo Rodríguez, de 54 anos, disse que foi à manifestação para "demonstrar à sociedade que se pode trabalhar sem ódio nem rancor".

"Achamos que esse processo vai nos levar à paz, somos (os civis) os que mais queremos a paz. Não é que estejamos com o presidente Santos, não é que estejamos com as Farc, é que estamos no meio do fogo."

(Reportagem de Luis Jaime Acosta, Eduardo García e Mónica García)

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