Pela 1ª vez na história, presos vão às urnas na Argentina

Urnas foram levadas a cadeis para voto de 860 detentos; assistentes sociais apresentaram candidatos

Claudia Safont, da EFE,

28 de outubro de 2007 | 20h26

Urnas eleitorais foram levadas hoje, e pela primeira vez na história, às prisões argentinas, onde cerca de mil reclusos em prisão preventiva e com documento de identidade puderam exercer seu direito a voto. A primeira votação nas prisões só foi possível graças à derrogação em 2003 de uma lei que impedia a inclusão nos censos das pessoas que estivessem presas. Veja também: Especial: as eleições argentinas Atrasa fim da votação; boca-de-urna indica vitória de CristinaEleição argentina começa com atrasos e 'estresse'Oposição alerta para riscos de fraudes Argentinos votam para consagrar KirchnersCristina: 'Não sou Hillary nem Evita'Kirchner seduz interior empobrecido As eleições realizadas neste domingo, 28, na Argentina decidirão o presidente e o vice-presidente do país pelos próximos quatro anos, renovarão a metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, e escolherão os governadores de oito províncias. Votaram 860 reclusos, distribuídos em 11 províncias, embora a maioria o tenha feito nas prisões de Devoto, na capital argentina, e de Ezeiza e Marcos Paz, na província de Buenos Aires. Em Devoto, as autoridades tiveram de suspender a votação porque as urnas instaladas não eram suficientes para reunir os votos dos que se apresentaram para depositar a cédula, segundo a agência "Télam". "Há poucos dias fizemos um simulacro para ver como seria a coisa, para estarmos prontos e preparados para a votação", explicou Leandro Gómez, de 20 anos, recluso no centro penitenciário de Ezeiza. Gómez, que aguarda sentença por roubo, afirmou, após depositar seu voto, que demorou para sair do "quarto escuro", local onde o votante introduz a cédula escolhida no envelope, porque teve que pensar "muito" em sua escolha. "Votar é importante porque é uma experiência para o dia de amanhã e vamos ver se o ganhador faz algo para melhorar o futuro", explicou o jovem. O atual pleito - o sexto consecutivo desde o retorno da democracia na Argentina em 1983 - tem um acento marcadamente feminino. São três candidatas à Presidência de um total de 14, sendo que duas delas ocupam respectivamente o primeiro e segundo lugares nas pesquisas de intenções de voto: Cristina e Elisa Carrió. Quase todas as pesquisas dão a vitória à Cristina no primeiro turno. Para tanto, ela precisa obter hoje 45% dos votos ou 40% mais dez pontos percentuais sobre o segundo candidato mais votado. Os reclusos não votavam com desconhecimento dos candidatos, já que há duas semanas assistentes sociais começaram a falar com eles sobre eleições e eles mesmos puderam se informar dos planos dos candidatos por meio da TV, do rádio e dos jornais. Embora o voto na Argentina seja obrigatório e quem não se apresentar para depositá-lo pode ser sancionado com multa, esta norma não vale para os presos, que podem decidir se votam ou não. 

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