Wilson Pedrosa/AE
Wilson Pedrosa/AE

Pela 1ª vez, Zelaya admite possibilidade de não voltar ao poder

'Se chegarmos às eleições sem acordo, teremos um governo débil', afirma presidente hondurenho deposto

estadao.com.br,

13 de outubro de 2009 | 18h42

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, admitiu nesta terça-feira, 13, pela primeira vez desde sua deposição, a possibilidade de não voltar ao poder antes das eleições propostas pelo governo de facto para resolver o impasse político no país, informou a agência France Presse. "Se chegarmos às eleições sem um acordo, a crise será aprofundada, teremos um governo débil", afirmou Zelaya. Ele sugeriu ainda que os "golpistas" sejam entregues à "justiça internacional."

 

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A votação presidencial, marcada para 29 de novembro, é a aposta do governo de facto, liderada por Roberto Micheletti, para permanecer no poder e resolver a disputa política que se culminou em junho, com a deposição de Zelaya. Nesta terça, a mesa de diálogo em que trabalham as comissões de Zelaya e de Micheletti desde a quarta-feira passada para a obtenção de um acordo retomou os trabalhos em um hotel de Tegucigalpa, após uma pausa durante o final de semana.

 

Também nesta terça, o sindicalista Juan Barahona foi substituído na comissão que representa Zelaya no diálogo por discordar da decisão do chefe de Estado destituído de renunciar a uma Assembleia Constituinte. "Não estamos de acordo, mas vamos respeitar a posição dele (Zelaya), a renúncia à Constituinte", declarou Barahona a jornalistas após deixar a mesa de diálogo por decisão, segundo ele, do próprio Zelaya.

 

Barahona esclareceu que sua saída não significa uma ruptura da Frente de Resistência contra o Golpe de Estado, da qual é dirigente junto com Zelaya, mas insistiu em que o movimento quer uma Constituinte. "Não renunciamos à Constituinte", mas "não se rompe a relação entre a frente de resistência e o presidente Zelaya", explicou o sindicalista.

 

Segundo Barahona, houve na semana passada consenso sobre os pontos de que não haverá anistia política para os envolvidos na crise e de que Zelaya desistirá de promover uma Assembleia Constituinte caso volte no poder. Também houve acordo sobre a necessidade de um governo de união nacional, segundo a ex-presidente da Corte Suprema de Justiça Vilma Morales, integrante da comissão de Micheletti.

 

O movimento de resistência apoia a ausência de anistia porque "quem cometeu crimes deve se submeter à lei", afirmou Barahona, dirigente da Confederação Unitária de Trabalhadores de Honduras (CUTH). O diálogo iniciado na quarta-feira se baseia no Acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, e que inclui a restituição de Zelaya, sua renúncia à Constituinte, a anistia política, um governo de união nacional e verificação internacional, entre outros pontos.

 

(Com Efe)

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