'Perdi', diz chefão do tráfico colombiano ao ser capturado

Diego Montoya foi pego sob folhas; oficiais acusados de colaborar com traficante também foram capturados

Reuters

11 de setembro de 2007 | 15h06

Ele é acusado de gerenciar um dos mais poderosos cartéis do narcotráfico do mundo, mas foi surpreendido por soldados colombianos de cuecas, tentando se esconder num buraco raso, coberto de folhas.    Colômbia anuncia captura de maior traficante do país   "Perdi", disse Diego Montoya a seus captores depois de três meses de perseguição. Ele estava escondido numa fazenda com sua mãe e outros parentes.   Para um dos dez homens mais procurados pelo FBI, sua prisão, ocorrida na segunda-feira, 10, até que foi fácil. Os soldados encontraram o buraco em que ele estava escondido seguindo as pegadas específicas deixadas por ele, que é manco devido a um acidente de carro que sofreu há alguns anos.   "Alguém viu as folhas se mexerem e embaixo delas encontraram Dom Diego", disse a uma rádio local o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, referindo-se a Montoya por seu apelido. "A primeira reação dele, como todo mafioso, foi tentar comprar seus captores, oferecendo 5 milhões de dólares para cada um."   O governo colombiano disse que a prisão de Montoya é o pior golpe para o narcotráfico em anos, talvez desde que a polícia matou o traficante Pablo Escobar, chefe do cartel de Medellín, em 1993.   Montoya é acusado de administrar o cartel do Norte del Valle, responsável por até 70% da cocaína que chega às ruas dos Estados Unidos. O grupo também está por trás de 1.500 assassinatos na guerra pelo controle das rotas do tráfico da costa do Pacífico, disseram autoridades.   Extraditável   Os EUA querem que ele seja julgado por tráfico de cocaína, lavagem de dinheiro e pela tortura e assassinato de uma testemunha do FBI. Santos disse que Montoya deve ser extraditado para os EUA quando os tribunais concluírem os procedimentos formais, em alguns meses.   A prisão aconteceu ao mesmo tempo em que oficiais de alta patente foram presos sob a acusação de receber suborno para proteger Montoya e fornecer a ele informações da inteligência naval e do Exército. Segundo as autoridades, as prisões ajudaram na captura do chefão do tráfico.   Grupos de soldados foram enviados para outras áreas antes da operação para distrair possíveis informantes. Quando o helicóptero chegou à fazenda de Montoya, ele foi pego de surpresa, tanto que suas calças e sua carteira foram deixadas num quarto. "Isso é o que espera todos eles", disse o comandante do Exército general Mario Montoya. "Foi como um filme, mas um filme com final feliz." 

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