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PERFIL-Capriles tenta mais uma vez tirar a Venezuela do socialismo

Seis meses depois de tentar pela primeira vez chegar à presidência da Venezuela, o candidato oposicionista Henrique Capriles tem uma nova chance de pôr fim aos 14 anos de socialismo no país.

DIEGO ORÉ, Reuters

12 de abril de 2013 | 08h36

Mais experiente e afiado do que no ano passado, o jovem governador do Estado de Miranda se desdobrou durante a breve, porém intensa, campanha eleitoral de dez dias, percorrendo todo o território nacional para renovar suas promessas de "segurança, bem-estar e reconciliação", após anos de polarização dos venezuelanos em torno da figura do falecido presidente Hugo Chávez.

"Se alguém fica para trás neste ônibus que eu dirijo, eu paro e os apanho", disse Capriles, numa frase que ele repete várias vezes na tentativa de atrair eleitores indecisos e chavistas "light".

"Meu primeiro decreto como presidente da República será a união de todos os venezuelanos", afirmou ele durante comício com milhares de participantes na costa leste do país.

A mensagem de paz, no entanto, tem sido mesclada a ácidas palavras contra seu adversário e herdeiro político de Chávez, o presidente interino Nicolás Maduro, a quem Capriles a todo instante busca dissociar da figura do falecido presidente, imbatível nas urnas.

Apesar de ter crescido nas últimas pesquisas, o político de 40 anos continua atrás de Maduro, que se vale da comoção causada pela morte de Chávez e do uso da máquina pública para fazer uma campanha apoteótica.

PROGRESSISTA OU BURGUESINHO?

Capriles prometeu aos 29 milhões de habitantes da Venezuela, caso vença no domingo, desmontar gradualmente a forte presença estatal na economia, implementando pouco a pouco um modelo de livre mercado com preocupação social, tendo como paradigma o governo do brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula, no entanto, já manifestou apoio a Maduro, o que causou constrangimento ao político de oposição. "Maduro presidente é a Venezuela que Chávez sonhou", diz Lula em um vídeo difundido na Venezuela.

Capriles é tachado pela oposição como "um burguesinho que nunca trabalhou", graças à riqueza da sua família, dona de cinco cinemas, meios de comunicação e imobiliárias.

O candidato busca se distanciar dessa imagem, descreve-se como "progressista" e tenta se mostrar como um político com cara de povo, que anda de moto, joga basquete e cuida pessoalmente dos problemas do Estado que governa.

Em seus discursos, ele costuma evocar os avós maternos, judeus que chegaram da Polônia durante a Segunda Guerra Mundial, fugindo do nazismo e trazendo apenas uma mala de roupas.

Capriles se formou em Direito e fez pós-graduações nos Estados Unidos, Holanda e Itália. Aos 26 anos, estreou como político, elegendo-se deputado, em um Congresso bicameral.

Mas ele duraria pouco no posto, porque Chávez --que assumiu em 1999-- lançou uma Assembleia Constituinte que fechou o Congresso e instituiu uma Assembleia Nacional unicameral.

Após a breve experiência legislativa, foi um dos cofundadores do partido centrista Primeiro Justiça, com o qual se elegeu prefeito de Baruta, um dos municípios que formam Caracas. Ficou no cargo por dois mandatos, até 2008.

Nesse período, passou quatro meses preso pela acusação de incitar à violência durante um confuso incidente na embaixada de Cuba, durante o breve golpe de Estado de 2002 contra Chávez.

Em 2008, derrotou nas urnas um ex-vice de Chávez, Diosdado Cabello, e se tornou governador de Miranda, segundo Estado mais populoso do país. Ficou mais conhecido e fez uma boa gestão, o que despertou a atenção do eleitorado antichavista. Em fevereiro de 2012, venceu uma eleição primária da oposição, tornando-se o candidato presidencial de uma coalizão com cerca de 30 partidos.

Na eleição de outubro, conseguiu 6,5 milhões de votos -- melhor resultado de qualquer candidato contra Chávez-, mas ficou 11 pontos percentuais atrás do presidente.

Em dezembro, foi reeleito governador, derrotando outro político que havia sido vice de Chávez, Elías Jaua. Capriles quer por fim ao ciclo socialista ao enfrentar Maduro, que também ocupou a vice-presidência do país sob o comando de Chávez.

"Já tenho dois vice-presidentes ‘raspados' (derrotados), a terceira é a que vale", afirma Capriles.

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