PERFIL-Chávez supera novo desafio por socialismo 'sem retorno'

Hugo Chávez enfrentou um câncer e uma oposição mais unida do que nunca, mas conseguiu ampliar seu horizonte de poder na Venezuela até 2019, usando as mesmas armas de sempre: a abordagem popular, com sorrisos e presentes.

ENRIQUE ANDRES PRETEL, Reuters

08 de outubro de 2012 | 09h03

Chávez obteve cerca de 55 por cento dos votos na eleição presidencial de domingo, contra o jovem governador de oposição Henrique Capriles. Diante do mais sério desafio eleitoral desde que chegou ao poder, em 1999, ele precisou levar ao limite o uso da máquina pública para entregar casas, inaugurar obras e acelerar subsídios.

"Eu me comprometo a ser cada dia melhor presidente do que fui nestes anos", disse Chávez, de 58 anos, a uma multidão que festejava o resultado eleitoral em frente ao palácio presidencial, empunhando uma réplica da espada do herói da independência Simón Bolívar.

Nascido em uma casa rural com chão de terra, nas remotas planícies venezuelanas, Chávez superou um rosário de obstáculos desde que assumiu o poder na Venezuela. Nem um golpe de Estado, nem uma feroz greve dos petroleiros, nem um referendo para revogar seu mandato puderam descarrilar seu projeto socialista.

Agora, o câncer na região pélvica, do qual se declarou curado há cinco meses, depois de se submeter a três cirurgias e um duro tratamento, é a maior nuvem que se projeta sobre o futuro do líder bolivariano.

Em parte por isso, ele tem declarado que o chavismo não é só uma questão de Chávez. "Chávez já não sou eu. Você também é Chávez, menina. Você também é Chávez, garoto. Somos todos Chávez!", insistiu na campanha.

Em seu novo mandato de seis anos, o presidente buscará levar o socialismo a um ponto sem retorno, mas enfrentará pela primeira vez um líder oposicionista que, com 45 por cento dos votos, revela um país profundamente mais dividido do que na última eleição presidencial, em 2006.

"A Venezuela nunca mais voltará ao neoliberalismo! A Venezuela continuará transitando para o socialismo democrático e bolivariano do século 21", gritou Chávez, vestindo sua clássica camisa vermelha, o traje praticamente oficial durante toda a campanha.

Seus críticos o acusam de dividir o país e de não dar atenção a problemas como a criminalidade, a precariedade dos serviços públicos e a burocracia.

Mas os militantes socialistas continuam a vê-lo como um protetor dos excluídos, e se identificam com a história do garoto do interior que sonhava em ser jogador de beisebol nos EUA, mas acabou virando o principal líder antiamericano da América Latina contemporânea.

Famoso por seus longuíssimos discursos, que chegam a durar nove horas, Chávez se tornou conhecido da população, paradoxalmente, numa fala improvisada e curta, depois de, como tenente-coronel, liderar o frustrado golpe de Estado de 4 de fevereiro de 1992, obtendo um valioso capital político que o catapultou à Presidência seis anos depois.

Suas populares "missões" sociais de alimentação, saúde e educação fizeram nos últimos anos a diferença para milhões de venezuelanos pobres, e lubrificaram um inegável carisma, o que lhe permitiu vencer 12 batalhas eleitorais e sofrer apenas duas derrotas, por margem estreita.

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