Perfil de Raúl Reyes, o 'número dois' das Farc

Morto nesse sábado, 1, Reyes ganhou notoriedade graças a seu papel de negociador e porta-voz das Farc

Efe,

01 de março de 2008 | 17h07

"Raúl Reyes", considerado o "número dois" no comando das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e que morreu nesse sábado, 1, em uma operação militar no Equador, se transformou em um dos principais nomes da guerrilha, graças a seu contato com a imprensa e seu papel de negociador e porta-voz do grupo. Veja também:Exército colombiano mata número dois das FarcPor dentro das Farc   "Reyes", cujo nome verdadeiro é Luis Edgar Devia Silva, nasceu em 30 de setembro de 1948 em La Plata, no departamento de Huila (Sul), e nos anos 70 uniu-se à guerrilha. Seu ingresso na luta armada aconteceu após sua passagem pelo sindicalismo, enquanto trabalhava na empresa Nestlé, no departamento vizinho de Caquetá. "Reyes" se uniu à frente das Farc cuja área de influência era seu departamento natal, e foi adquirindo notoriedade pouco a pouco. Passou posteriormente a fazer parte do Secretariado (comando central) da guerrilha, junto ao fundador e chefe máximo Pedro Antonio Marín, conhecido como "Manuel Marulanda" ou "Tirofijo", entre outros nomes. Embora Jorge Briceño - "Macaco Jojoy" - fosse o chefe militar da guerrilha, enquanto Guillermo León Sáenz - "Alfonso Calo" - era o ideólogo, "Raúl Reyes" adquiriu uma maior relevância no campo internacional e ideológico, no final dos anos 90. Esta posição fez com que fosse considerado o segundo no comando das Farc, como responsável pela área internacional da guerrilha, mas é possível que também tenha conseguido destaque por ser o companheiro de "Olga Marín", filha de "Tirofijo". "Reyes" foi uma figura importante durante o fracassado processo de paz das Farc com o Governo do então presidente Andrés Pastrana, de 1999 a 2002, e tornou-se o principal porta-voz da guerrilha após a ruptura da negociação. "Reyes" foi encarregado das relações internacionais e viajou à Europa junto a outros membros importantes das Farc e o então alto comissário para a Paz, Víctor Ricardo. Desde então, o guerrilheiro foi considerado responsável por inúmeras ações das Farc nos departamentos sulinos de Putumayo, Huila e Caquetá. Contra "Reyes" pesavam, segundo a Procuradoria Geral da Colômbia, mais de 100 processos pelos crimes de terrorismo, perturbação da ordem pública, seqüestro, assassinato, entre outros, assim como em torno de 30 ordens de prisão. O Departamento de Estado americano, que oferecia US$ 5 milhões por sua captura, acusa "Reyes" também de ser o responsável pela expansão do tráfico de cocaína nos EUA pelas Farc. Suas últimas imagens são de um vídeo de setembro do ano passado, quando recebeu em seu acampamento a senadora opositora colombiana Piedad Córdoba, que então junto com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, mediava a negociação com a guerrilha. Era a tentativa de conseguir um acordo humanitário que permitisse trocar os reféns das Farc por guerrilheiros presos. A mediação foi cancelada pelo presidente colombiano no final de novembro de 2007. Informações do Governo colombiano situavam "Raúl Reyes" em Putumayo, na fronteira com o Equador, onde, segundo diziam, a guerrilha penetrava com freqüência. Sua morte, segundo reconheceu o ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos, aconteceu em território equatoriano, a cerca de 1.800 metros no interior do vizinho país. Com a morte de "Reyes", é provável que "Ivan Márquez", cujo nome verdadeiro é Luciano Marín, seja seu substituto, visto que adquiriu recente relevância após reunir-se com o presidente Chávez em Caracas, visando facilitar a libertação de vários reféns.

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