PERFIL-Jovem Peña leva o velho PRI de volta ao poder no México

Jovem, elegante e capaz de causar comoção como um astro da música: Enrique Peña Nieto, de 45 anos, conseguiu levar o seu polêmico partido PRI de volta à Presidência do México no domingo, após um hiato de 12 anos.

ANAHI RAMA, Reuters

02 de julho de 2012 | 11h39

O Partido Revolucionário Institucional (PRI) governou o México de forma ininterrupta por 71 anos até 2000, naquilo que o escritor peruano Mario Vargas Llosa descreveu como "a ditadura perfeita". Mas, cansada de escândalos de autoritarismo e corrupção, a população os retirou do poder através das urnas.

Agora, porém, muitos mexicanos parecem ter relegado esses problemas a um segundo plano, mostrando-se mais preocupados com o desemprego e a violência que assolam o país sob o governo do Partido Ação Nacional (PAN).

"Vamos ter um governo eficaz, honesto, transparente e que preste contas... A luta contra a violência vai prosseguir. Sim, com uma nova estratégia para proteger a vida dos mexicanos", disse o sorridente Peña Nieto no final da noite de domingo, após declarar vitória na eleição presidencial.

Ele também prometeu manter uma economia de livre mercado, mas com "consciência social".

Toda a campanha do PRI se baseou em torno da carismática figura do ex-governador do Estado do México, que não apresentou propostas mirabolantes. Mas, para afiançar sua confiabilidade, Peña Nieto valeu-se de um recurso que já havia utilizado em campanhas anteriores: registrou suas promessas em cartório.

"Você me conhece, e sabe que eu vou cumprir", dizia ele na propaganda que inundou os meios de comunicação nos últimos três meses.

O PAN contestou esse slogan dizendo que muitas obras ficaram inconclusas durante o período (2005-11) em que ele governou o Estado do México, que cerca a capital, ou então que ele dava destaque excessivo a tarefas banais da administração.

Seus adversários e alguns meios de comunicação chegaram a acusá-lo de ser um "produto de marketing", como se fosse um galã de novelas imposto pela poderosa rede de TV Televisa, e que um dos componentes do plano para promovê-lo foi seu casamento, em 2010, com a popular atriz Angélica Rivera.

Durante a campanha, Peña Nieto enfrentou a revelação de infidelidades conjugais durante o primeiro casamento, tendo inclusive dois filhos com suas amantes. Também foi alvo de um movimento estudantil que realizou várias passeatas contra ele.

EXECUTIVO

Peña Nieto anda sempre com o topete engomado e de camisa branca, e seus colaboradores o definem como alguém que sabe trabalhar em equipe, ser bom gestor e se rodear de pessoas capazes.

Ele se define como um pragmático que valoriza mais os resultados que as ideologias, e disse durante a campanha que estimulará investimentos privados na petrolífera Pemex - algo que é tabu inclusive dentro do seu partido.

Peña se formou politicamente no que analistas chamam de Grupo Atlacomulco, visto como parte da velha guarda do PRI, frequentemente caricaturada como um dinossauro de rabo pesado, capaz de manipular várias administrações do partido.

O grupo, cuja existência é negada pelos líderes partidários, está supostamente composto por ex-governadores do Estado do México que nasceram na localidade de Atlacomulco nas últimas sete décadas, e que funcionaria como uma espécie de clã.

A seu redor teriam sido tecidas obscuras tramas de corrupção, e há quem diga que uma bruxa do povoado previu que dali sairiam seis governadores, e que um deles chegaria a presidente. Peña é o sétimo governador oriundo de Atlacomulco, segundo o livro "Negócios de Família", de Francisco Cruz e Jorge Toribio Montiel.

(Reportagem adicional de Lizbeth Díaz)

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