PERFIL-Maduro, o homem que se apegou à sombra de Chávez para governar

Ao pé do túmulo de Hugo Chávez, Nicolás Maduro fez uma promessa a seu mentor político: retornar em 15 de abril como presidente eleito da Venezuela. E ele cumpriu sua palavra, embora tenha sido mais difícil do que esperava.

MARIO NARANJO, Reuters

15 de abril de 2013 | 08h50

O sucessor do ex-presidente, eleito para continuar a "revolução socialista" criada por Chávez, venceu as eleições presidenciais de domingo com 50,66 por cento dos votos, uma diferença de 1,6 ponto percentual em relação ao adversário Henrique Capriles.

Maduro, de 50 anos, dedicou a vitória a Chávez e disse que não tinha medo da recontagem de votos exigida pela oposição.

"Ele me deixou com uma vontade e me disse o que fazer... Missão cumprida comandante Chávez, o povo cumpriu seu juramento", disse ele a centenas de seguidores à beira da "sacada do povo" no palácio de Miraflores, onde seu mentor também fazia seus discursos de vitória.

Maduro, com uma carreira política que nasceu, desenvolveu-se e atingiu seu clímax sob a asa de Chávez, condensa o sonho socialista do rapaz pobre que chega o topo.

Com um diploma de ensino médio debaixo do braço, Maduro começou a dirigir ônibus no sistema de transporte público de Caracas e se tornou sindicalista, ativista e parlamentar.

Por força de uma lealdade à prova de balas durante os 14 anos de governo Chávez, abriu caminho para ser nomeado chanceler e depois vice-presidente. Mas ele não tem o carisma, o talento oratório ou a proximidade com as pessoas do povo como Chávez sempre teve.

Ele pediu o apoio do povo para "fazer as mudanças que são necessárias para que a revolução viva um processo de renovação, de arejamento, de impulso".

"No que me resta de vida, eu juro a esse povo, vamos nos dedicar por inteiro a cumprir o seu legado", disse ele.

Sua estratégia de mimetizar Chávez deu frutos e 7,5 milhões de venezuelanos o apoiaram nas urnas, com a certeza de que manterá as generosas políticas sociais de que gozam e que vão desde subsídios alimentares até a entrega de casas.

À frente, irá enfrentar desafios como os grandes desequilíbrios econômicos para cimentar sua legitimidade como herdeiro de Chávez dentro de um partido heterogêneo formado por políticos, militares, grupos armados e empresários.

"Todos juntos somos Chávez. Individualmente somos nada, perdemos tudo", disse ele várias vezes durante a curta campanha.

TEMAS PENDENTES

Maduro apresentou duas questões pendentes que o governo ainda não foi capaz de resolver em quase cinco décadas: o aumento da criminalidade e a ineficiência do gigante aparelho estatal.

Seu outro desafio é a economia. Analistas roem as unhas para calcular o déficit e a dívida que o país teria, apesar de ter as maiores reservas de petróleo no mundo.

Os venezuelanos têm de lidar com a inflação de dois dígitos que dispara o custo de vida, as ondas de escassez de matérias-primas e as lacunas em serviços de eletricidade e água, enquanto as empresas queixam-se de férreos limites de preços e a seca de dólares devido aos controles no câmbio.

Alguns acreditam que Maduro poderia ser mais conciliador do que Chávez e abrir um incipiente canal de diálogo.

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