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PERFIL-Maduro, um apóstolo do socialismo na Venezuela

Com a fidelidade de um apóstolo, Nicolás Maduro trabalha para realizar o sonho de Hugo Chávez, que era levar a Venezuela a um socialismo sem retorno.

MARIO NARANJO, Reuters

12 de abril de 2013 | 08h39

O corpulento e bigodudo Maduro, um ex-sindicalista e ex-motorista de ônibus de 50 anos, vem cruzando o país na rápida campanha para as eleições presidenciais de domingo, repetindo que não é Chávez, mas apresentando-se como um filho do popular presidente, que morreu em 5 de março, de câncer, após governar durante 14 anos.

O agora presidente interino tem uma pesada carga sobre os ombros: completar duas décadas de chavismo no poder, apesar das investidas da oposição, que busca alterar os rumos políticos e econômicos da potência petrolífera sul-americana.

"Não estou aqui por ambições pessoais, estou aqui porque o comandante Chávez me disse: ‘Cabe a você, deixo para você, pegue a minha bandeira, seja leal com o povo'", disse Maduro na localidade andina de Trujillo (oeste).

Maduro aproveita todas as ocasiões possíveis para lembrar que foi ungido pelo próprio Chávez como seu herdeiro político, e se apoia na lembrança do falecido líder, a quem cita centenas de vezes por dia, misturando política e religião no seu discurso.

"Peço ao nosso comandante que me abençoe", reza ele nos comícios, em que denúncias de complôs homicidas, agressivos ataques verbais à oposição e propostas programáticas se misturam a referências místicas, algumas tão estranhas que se tornaram alvo de comentários sarcásticos.

Maduro chegou a declarar que Chávez lhe apareceu na forma de pássaro e que influiu do céu para a eleição de um latino-americano como papa. Disse também que uma maldição ancestral recairá sobre quem votar no seu adversário, Henrique Capriles.

O começo da campanha teve tropeços. Em público, ele ficava com a voz embargada e derramava lágrimas frequentemente ao falar de Chávez. Mas, nos últimos dias, foi contagiado pelo frenesi eleitoral e pulou, dançou e gritou diante dos seus simpatizantes, deixando o luto para trás.

No entanto, não conseguiu se esquivar das inevitáveis comparações com o carisma e a língua ferina do seu mentor, que era nos últimos anos a principal voz antiamericana na América Latina.

As pesquisas mostram que Maduro conseguiu pegar carona na comoção causada pela morte de Chávez, e por isso é favorito.

O candidato, que foi guitarrista de uma banda de rock na adolescência, reverteu o seu habitual zelo pela intimidade familiar, e expôs ao público seus filhos e netos. Também tem aproveitado politicamente a visibilidade da sua mulher, a influente advogada Cilia Flores.

Seu principal objetivo é manter unidas as heterogêneas correntes que Chávez conseguiu reunir - de militares linha-dura a radicais de esquerda.

DE CHOFER A CHANCELER

Sua história pessoal resume o sonho de um trabalhador que chega ao mais alto cargo do país. Com o diploma do ensino médio embaixo do braço, começou a dirigir ônibus do sistema do Metrô de Caracas. A partir daí, se tornou sindicalista, militante, dirigente político e chanceler do país.

Nos primeiros anos da década de 1990, saiu com Flores às ruas para pedir a liberdade do então tenente-coronel Chávez, preso após um frustrado golpe de Estado.

Identificado com a esquerda, desembarcou na política anos depois, quando Chávez foi eleito presidente. Participou da Assembleia Constituinte de 1999, e foi presidente do Parlamento.

Em outubro de 2012, após ser reeleito pela última vez, Chávez trouxe Maduro para a cúpula, ao nomeá-lo vice-presidente. "Nicolás era chofer de ônibus (...), e como se diverte a burguesia com isso", disse o presidente naquela ocasião.

Longe de maquiar seu passado, Maduro costuma chegar aos seus comícios dirigindo um ônibus, em resposta àqueles que criticam sua formação educacional e sua carreira política que, dizem os detratores, se acelerou mais pela fidelidade a Chávez do que por sua capacidade.

Sua passagem pela chancelaria demonstrou seu apego à orientação do seu mentor, com uma gestão repleta de críticas aos EUA. Horas antes da morte de Chávez, ele deixou claro que manterá também o estilo do chavismo, ao denunciar que o câncer do líder havia sido "inoculado" por inimigos.

Mas Maduro sabe que não poderá fazer o trabalho sozinho, como fazia Chávez, e que precisará ter novas alianças dentro do movimento "vermelho, vermelhinho" - a cor do chavismo - para evitar que as ambições de poder lhe puxem o tapete.

Consciente da importância de manter galvanizado o coletivo chavista, Maduro resumiu sua visão do futuro durante um ato do Partido Comunista: "Todos juntos somos Chávez. Separados não somos nada, podemos perder tudo".

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