Peru apresentará nova acusação contra Fujimori

Acusação pela morte de 42 pessoas precisa ser feita ao Chile, como pedido de extradição

Agências internacionais,

22 de setembro de 2007 | 15h03

O Peru apresentará ao Chile na próxima semana um novo pedido de extradição contra o ex-presidente Alberto Fujimori, acusado de ser responsável pela morte de 42 detentos que participaram de um motim em uma penitenciária de Lima em 1992. A informação é do chanceler peruano, Jose García Belaúnde, que falou à imprensa neste sábado, 22. "Um novo pedido irá tramitar por ordem da Corte Suprema de Justiça do Peru", disse.  Veja TambémOs processos contra FujimoriHerói para alguns, déspota para os inimigosGrupo Colina pode incriminar FujimoriChile aprova extradição de Fujimori A apresentação da nova requisição contra o ex-presidente (1990-2000) pelos supostos crimes de homicídio qualificado, calúnia e explosão das celas da penitenciária foi anunciada oficialmente pelo governo peruano no dia 13 de setembro. Aberto especificamente para a apurar a morte de Juan Bardales Rengifo, o caso foi estendido mais tarde aos 42 presos que morreram em uma operação militar realizada na penitenciária de segurança máxima Miguel Castro-Castro, em maio de 1992. Segundo o acordo assinado pelos governos do Peru e do Chile, Fujimori só pode ser processado pelos crimes aceitos pela Suprema Corte chilena, que autorizou a extradição do ex-presidente peruano na sexta-feira, 21. Por isso a necessidade de se enviar um novo pedido de extradição à Justiça chilena. Na começo da tarde deste sábado Fujimori tocou o solo peruano pela primeira vez em sete anos. Acusado por crimes de corrupção e violação dos direitos humanos, ele estava foragido da Justiça peruana desde o término da sua presidência, em 2000. O avião Antonov que transportava o ex-presidente de Santiago para Lima aterrissou em território peruano às 13h20 (horário local), na cidade fronteiriça de Tacna. A aeronave permaneceu por cerca de 30 minutos no solo para ser reabastecida.  Junto com Fujimori, viajam o diretor-geral da polícia peruana, David Rodríguez, quatro oficiais da Interpol e médicos que o examinaram exaustivamente antes de seu embarque.  Segundo o site do diário peruano El Comercio, um enfermeiro carregando cilindros de oxigênio subiu no avião durante a parada em Tacna, aparentemente para atender Fujimori, que teve queda da pressão sanguínea durante o vôo. Em Lima, centenas de simpatizantes do ex-presidente aguardam a chegada de Fujimori em frente ao aeroporto da Direção Nacional da Polícia Aérea.  Processo Com o pedido de extradição que será expedido na próxima semana, segundo Belaúnde, "abre-se um novo processo no Chile", independentemente do processo anterior, iniciado por conta de denúncias sobre corrupção e violação dos direitos humanos.Fujimori está sendo extraditado por sete dos 13 casos pelos quais é acusado. Em dois deles, relacionados às violações dos direitos humanos cometidas nos massacres de Barrios Altos e La Cantuta, os juízes chilenos votaram de forma unânime pela extradição do ex-governante. Para Fujimori, no entanto, o fato de a Justiça chilena não ter aceito todas as 13 acusações que pesam contra ele enfraquece quem defende sua prisão. O ex-presidente pode ser condenado a 30 anos em cada um dos casos de violação dos direitos humanos e até 10 anos pelas acusações de corrupção. O chanceler peruano ressaltou ainda que a extradição de Fujimori "nunca fez parte da agenda bilateral" com o Chile, e, por isso, a decisão "não precisava afetar a relação" entre os dois países. Belaúnde lembrou ainda que o Peru "desfujimorizou" sua relação com o Japão durante a presidência de Alan García, que assumiu a chefia de Estado em 28 de julho de 2006.Segundo ele, a relação dos países não será prejudicada se o caso Fujimori se mantiver na "esfera judicial".

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