Peru convoca embaixador na Bolívia após declarações de Evo

Presidente boliviano diz que Lima pretende instalar base dos EUA no país e acirra tensões entre os dois países

Efe,

30 de junho de 2008 | 13h48

O governo do Peru convocou para consultas seu embaixador na Bolívia, Fernando Rojas, diante do mal-estar provocado por recentes declarações do presidente boliviano, Evo Morales, sobre a instalação de bases militares dos Estados Unidos em território peruano, disseram nesta segunda-feira, 30,fontes diplomáticas.   Em um ato público no departamento de Oruro, Evo Morales felicitou, no sábado passado, a decisão do Equador de não permitir a instalação de uma base militar americana em seu território, e disse que agora Washington "está levando suas bases militares para o Peru".   O governo do presidente peruano, Alan García, interpretou estas declarações como uma "intromissão" de Evo em assuntos internos de seu país, e decidiu chamar para consultas o seu embaixador, que partirá na terça-feira para Lima, disseram fontes diplomáticas em La Paz.   A convocação de Rojas para consultas agrava as relações entre Bolívia e Peru, afetadas nas últimas semanas pelas diferenças sobre como enfrentar acordos comerciais da Comunidade Andina de Nações (CAN) e por recentes críticas de Morales a García. Em maio, o presidente boliviano acusou Peru e Colômbia de pretenderem excluir a Bolívia da negociação comercial entre a União Européia (UE) e a CAN.   Além disso, Evo disse que o bloco "corre risco de desintegração" pela intenção peruana de aprofundar seu Tratado de Livre-Comércio (TLC) com os Estados Unidos.   As relações entre Peru e Bolívia viveram outro momento de tensão quando o governo de García apresentou uma queixa formal depois de Evo vincular autoridades peruanas em um suposto complô promovido pelos EUA para tentar extraditar o jornalista Walter Chávez, ex-assessor do presidente boliviano. Além disso, outro polêmica aconteceu quando Evo disse que García é "gordo" e "pouco antiimperialista".   Com o do Peru, já são dois os embaixadores credenciados em La Paz a serem convocados para consultas por seus respectivos governos por problemas em suas relações com o presidente Morales. Em 16 de junho, o governo dos EUA também convocou seu embaixador, Philip Goldberg, após uma manifestação violenta contra a representação diplomática americana em La Paz, onde milhares de pessoas protestaram pelo asilo político concedido a um ex-ministro acusado de genocídio na Bolívia.   Evo mostrou seu apoio ao protesto - no qual a polícia interveio com gás lacrimogêneo, pois os manifestantes pretendiam burlar a segurança da embaixada -, que resultou na convocação para consultas de Goldberg, que está fora da Bolívia desde 17 de junho.

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