Peru defende fim de corridas armamentistas na Cúpula América Latina-UE

Para García, isso impede os países de discutirem com "autoridade moral" a luta contra pobreza

EFE,

17 de maio de 2008 | 00h35

O presidente do Peru, Alan García, propôs nesta sexta, 16, em seu discurso na 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, na sigla em inglês) o fim da "loucura da carreira armamentista", o que poderia destinar fundos a programas de combate à pobreza. "Há ainda muito ódio, rivalidade, muita concorrência, e por isso existe tanta compra de armas", afirmou governante peruano. "Em 2007, os países aqui reunidos compraram US$ 40 bilhões em armas novas, dinheiro que serviria para ajudar 80 milhões de famílias pobres com um auxílio mensal de US$ 50 para atenuar um pouco sua dor e sua pobreza", acrescentou. García disse ainda que a corrida armamentista impede os países de discutirem com "autoridade moral" a luta contra pobreza. "Com que autoridade moral poderíamos continuar discursando contra a pobreza e a dor se não colocamos um ponto final à loucura da corrida armamentista, se não resolvemos nossos conflitos e nossos problemas, que sempre são pequenos, de maneira pacífica e jurídica, em vez de nos armarmos e vendermos armas os uns aos outros?", questionou o governante peruano. García comentou ainda a possível criação de um Conselho Sul-Americano de Defesa, e disse que os países da região devem parar de negociar armamentos. "Antes de criar o Conselho, temos de fazer seus participantes deixar de vender e comprar armas. Só assim teremos autoridade para discutir", afirmou. "E isso começará quando deixarmos de agitar nossas diferenças e rancores, e iniciarmos o caminho da paz verdadeira e do espírito aberto", disse. O governante afirmou ainda que a Cúpula América Latina-UE aconteceu sob os princípios de "união e compromisso", e disse que a declaração final "expressa de maneira pontual todo um compromisso de erradicação da pobreza".

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