Peru elogia Chile por investigar caso de espionagem

O Peru se declarou nesta segunda-feira "satisfeito" com a decisão do Chile de investigar um suposto caso de espionagem militar, e afirmou que isso poderá levar à superação do "penoso incidente" que abalou as relações entre Lima e Santiago.

CÉSAR ILLIANO, REUTERS

30 Novembro 2009 | 19h06

A presidente Michelle Bachelet afirmou no domingo que o Chile ainda não encontrou dados concretos que permitam confirmar a denúncia peruana, e afirmou que "serão tomadas as decisões" de acordo com o resultado das investigações.

"A presidente (Bachelet) fez declarações que valorizo muito, porque são declarações de coragem, são declarações de decisão, de investigação a fundo, e com isso nós estamos satisfeitos porque nos parece que quando há uma denúncia assim o mínimo é dizer: 'Bom, vamos investigar'", disse o presidente peruano, Alan García.

"Qualquer que seja o resultado, é o que deve fazer um Estado, nós faríamos exatamente o mesmo", disse García a jornalistas em Portugal, onde participa da 19a Cúpula Iberoamericana.

Um agente da Força Aérea Peruana, que está detido, é acusado de ter fornecido informações sigilosas ao Chile, na época em que trabalhava como adido militar em Santiago. Os dois países atualmente mantém uma disputa em torno de seus limites marítimos.

Há duas semanas, García retirou seu embaixador em Santiago depois de qualificar como "republiquetas" os países que promovem espionagem. O Chile, que em princípio negou as acusações, posteriormente aceitou investigar o caso.

A denúncia foi acompanhada de duras declarações de García, para quem o Chile "inveja" o crescimento peruano e por isso espiona o país vizinho.

"Não acho que a presidente Bachelet, depois desse penoso incidente, tenha de terminar seu governo com um tema assim. Tudo o que possamos fazer por reencontrar o bom caminho será bem recebido no Peru", disse García previamente à rádio peruana RPP depois de visitar o papa Bento 16 no Vaticano.

Dois dias antes, foi a vez de Bachelet visitar o pontífice.

"Fui claro ao afirmar que a origem socialista e popular da presidente Bachelet lhe imputava um papel que, a meu ver, deveria nos levar a uma permanente amizade, cooperação e colaboração", acrescentou.

(Com reportagem de Teresa Céspedes e Marco Aquino em Lima)

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