Peru enfrenta impacto de tremor e convoca órgãos de ajuda

Terremoto de 8 graus deixou até agora 510 mortos, 1.500 feridos e 85 mil desabrigados no litoral do país

Agências internacionais,

17 de agosto de 2007 | 06h19

O governo do Peru enfrenta o impacto do terremoto de quarta-feira, que deixou um saldo de pelo menos 510 mortos, 1.500 feridos e 85 mil desabrigados no litoral. As organizações de cooperação internacional que atuam no país foram convocadas para coordenar a ajuda às vítimas.   Veja também:   Veja as imagens  Câmeras flagram momento do abalo   ONU alerta para aumento do número de vítimas  Comunidade internacional oferece apoio  Brasileiro relata momentos do terremoto  História do Peru é marcada por terremotos  'A terra se moveu como nunca'  Mais de 600 detentos fogem de cadeia  Governo brasileiro oferece ajuda humanitária  Embaixada dá instruções para brasileiros   O diretor-executivo da Agência Peruana de Cooperação Internacional (APCI), Agustín Haya de la Torre, convocou a reunião. Segundo a Andina, participarão representantes das embaixadas da França e Japão, a Organização dos Estados Americanos (OEA), a Organização Internacional de Migrações (OIM) e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).   Além disso, foram convidadas a Agência Suíça para o Desenvolvimento e a Cooperação (Cosude), a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), a Agência Sueca de Desenvolvimento Internacional (Asdi) e o Fundo das Américas, entre outras instituições.   A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que a expectativa é que o número de mortos pelo desastre tenha sido maior que os óbitos informados até agora, porque os trabalhos de resgate ainda estão em curso nas ruínas.   "Infelizmente, os números continuarão a crescer porque a destruição de casas nas áreas atingidas foi total," diz Margareta Wahlstrom, secretária-geral assistente da ONU.   Pisco   O presidente do Conselho de Ministros, Jorge del Castillo, retornou a Lima após permanecer durante toda a quinta-feira na cidade de Pisco, no sul do país. "Foi o local de maior impacto", disse.   O chefe do gabinete informou que as autoridades estão levando ajuda aos desabrigados, principalmente alimentos e água, para cobrir as primeiras necessidades. Mas reconheceu a demora na distribuição da ajuda humanitária. Ele atribuiu os atrasos nos envios aos graves danos na estrada Panamerica Sul.   Ao longo do dia 35 vôos de aviões da Força Aérea, Polícia Aérea e Aviação Naval partiram de Lima para Pisco. A Marinha enviará à costa da cidade dois navios com água potável e um navio-hospital. Já o Exército "teve que intervir" no controle da cidade, para evitar as "tentativas de vandalismo".   O Instituto Nacional de Defesa Civil (Indeci) informou que 16.669 imóveis foram destruídos nas regiões de Ica, Lima, Junín e Huancavelica. Calcula-se que Pisco perdeu 70% das suas infra-estruturas. A cidade está sem luz e a população teme seqüelas naturais e eventuais saques.   Um porta-voz das brigadas de apoio disse que as autoridades calculavam 25 mil desabrigados nas ruas de Pisco. Mas a realidade se encarregou de superar as projeções. E os números ainda devem crescer, já que muitas famílias se refugiaram nas colinas próximas, temendo um tsunami.Nas ruas as pessoas não dormem. Perambulam na mais absoluta escuridão. A sensação é de calma, apesar da evidente ansiedade na hora de receber ajuda. Voluntários e membros de equipes de resgate trabalham entre as ruínas para recolher os corpos, com a esperança de encontrar algum sobrevivente. No fim da tarde, duas pessoas foram resgatadas dos escombros da igreja San Clemente, no centro da cidade.   As equipes de resgate disseram à Efe que nas ruínas da igreja, que desabou durante o terremoto, ainda estar soterradas de 30 a 40 pessoas. Há poucas esperanças de encontrar mais sobreviventes.   As autoridades se dirigiram aos albergues para distribuir cobertores entre os desabrigados. O presidente peruano, Alan García, que declarou luto nacional de três dias, visitou a região da tragédia para verificar os trabalhos de resgate e de ajuda. Depois do terremoto o Instituto Geofísico do Peru registrou cerca de 360 réplicas.   Ajuda humanitária   O presidente do Peru, Alan García, viajou de helicóptero a Ica, uma cidade de 120 mil habitantes, e declarou estado de emergência. Os médicos peruanos do serviço estatal de saúde cancelaram uma greve por melhores salários para atender aos feridos.   "Houve uma resposta rápida e boa de ajuda da comunidade internacional, mesmo que o Peru não tenha pedido por ela," disse García, durante uma visita à Pisco.   O governo brasileiro está entre os que enviarão ajuda. Na manhã de quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para García para oferecer 46 toneladas de alimentos não perecíveis, além de medicamentos e tendas de campanha. A Força Aérea Brasileira transportará os alimentos de Vitória, no Espírito Santo, para Lima, capital peruana, até a sexta-feira.   Em Washington, o presidente dos EUA, George W. Bush, também ofereceu condolências pelo desastre. Um cidadão americano morreu na tragédia.   Israel anunciou o envio de US$ 20 mil para ajudar as vítimas do terremoto. A rádio pública informou que o Ministério de Assuntos Exteriores em Jerusalém transferiu a quantia para a Embaixada em Lima, que comprará barracas para os desabrigados.   Fuga de detentos   O terremoto derrubou o muro da prisão de Chincha e permitiu que 600 presos fugissem. Até agora, 29 foram recapturados, segundo o governo peruano.   A Cruz Vermelha do Peru demorou sete horas e meia para chegar a Ica e Pisco, por causa dos danos provocados nas rodovias.   Em Lima, 150 quilômetros ao norte do epicentro do sismo, apenas uma morte foi reportada. Mas os furiosos dois minutos do terremoto levaram milhares de pessoas a abandonar suas casas e buscar refúgio nas ruas.   Tsunami   Cientistas dizem que o terremoto que abalou a costa peruana foi "gigantesco" - um tipo de tremor semelhante ao registrado no final de 2004, no fundo do Oceano Índico, que gerou o tsunami que devastou as costas de países asiáticos.   O terremoto de quarta-feira ocorreu em uma falha onde a atividade sísmica é das mais fortes no planeta, entre as placas de Nazca e da América do Sul. A última vez que um terremoto de magnitude superior a 7 graus atingiu o Peru foi em 2005, quando o choque de 7,5 graus chegou a ser sentido na Floresta Amazônica, no leste do país. O tremor matou quatro pessoas. Em 2001, um terremoto de 7.9 graus atingiu a cidade de Arequipa, nos Andes, e matou 71 pessoas.

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