Peru inicia julgamento histórico do ex-presidente Fujimori

Acusado de violações aos direitos humanos, ex-presidente pode receber pena de até 30 anos de prisão

MARCO AQUINO, REUTERS

10 de dezembro de 2007 | 13h56

Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru, sentou-se nesta segunda-feira, 10, no banco dos réus no início de um julgamento histórico por violações dos direitos humanos, no qual ele pode ser condenado a até 30 anos de prisão. O julgamento, cujo início coincide com o Dia Internacional dos Direitos Humanos, está sendo realizado dentro do quartel policial em que Fujimori está detido sob forte segurança desde que foi extraditado do Chile, no dia 22 de setembro. De terno escuro e gravata amarela, Fujimori passou o tempo todo tomando notas. Esta é a primeira vez na história do país que um ex-mandatário é submetido a um julgamento público, transmitido ao vivo pelo rádio e pela TV - e um dos raros julgamentos de ex-presidentes na América Latina. Fujimori, 69, que passou sete anos foragido - cinco no Japão e dois no Chile -, está sendo julgado por três casos que envolvem a morte de 25 pessoas e pelos seqüestros do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer. O primeiro caso a ser julgado é o de Barrios Altos, pela execução de 15 pessoas em 1991, entre elas uma criança, por um comando militar que enfrentava os guerrilheiros do Sendero Luminoso, um dos grupos rebeldes mais violentos da América Latina. Fujimori é acusado de homicídio e lesões corporais graves. A promotoria afirma que ele foi o "autor intermediário" das chacinas, mas seu advogado, César Nakasaki, afirma que provará sua inocência. Os julgamentos devem durar no mínimo um ano. Nakasaki defende que Fujimori foi apenas "instigador" do crime, já que não existe dever de obediência quando uma ordem é "manifestamente ilegal". O julgamento de Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, foi acompanhado por três filhos dele, entre eles a parlamentar Keiko Fujimori. Eles ficaram atrás de um vidro. Também estavam presentes parentes das vítimas. Pelo menos 300 jornalistas cobriam o julgamento. Em 2000, Fujimori fugiu para o Japão após o maior escândalo de corrupção da história do Peru. Para analistas, ele foi para o Chile com a esperança de voltar ao Peru sob acusações mais leves, mas a Corte Suprema do Chile aprovou sua extradição pelos casos de violação dos direitos humanos.

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