Pesquisas indicam que Cristina Kirchner vencerá no 1.º turno

'Se um segundo turno acontecer, será uma surpresa para a oposição e para a sociedade', diz pesquisador

Efe,

24 de outubro de 2007 | 18h21

Três dos principais pesquisadores eleitorais da Argentina ratificaram nesta quarta-feira, 24, que não será necessária a realização de um segundo turno após as eleições deste domingo, quando a primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner provavelmente será eleita presidente.   Maradona anuncia que votará em Cristina Kirchner Em rara entrevista, Cristina Kirchner critica inflação argentina Liderança de Cristina reflete opção por continuidade, dizem analistas   Luciana Grandi, Ricardo Rouvier e Fabian Peretchodnik concordaram também em afirmar que, durante toda a campanha, não houve um só momento em que existiu a possibilidade de segundo turno. "Se um segundo turno acontecer, será uma surpresa para a oposição e para a sociedade, além de um duro golpe para o governo e para os pesquisadores, que cometeriam suicídio em massa", assegurou Rouvier, diretor da Ricardo Rouvier y Asociados, em um encontro com correspondentes estrangeiros.   Para evitar o segundo turno, Cristina tem que conseguir pelo menos 45% dos votos ou 40% e 10 pontos de diferença sobre o segundo colocado.   Os três pesquisadores concordaram em que a primeira-dama, candidata pela legenda peronista Frente para a Vitória, vencerá com uma adesão de entre 41% e 49% dos votos.   Em seguida estão, respectivamente, a dirigente de centro-esquerda Elisa Carrió (Coalizão Cívica), o centro-progressista Roberto Lavagna (Uma Nação Avançada, UNA), o peronista dissidente Alberto Rodríguez Saá (Frente Justiça, União e Liberdade) e o centro-direitista Ricardo López Murphy.   Segundo os pesquisadores, Carrió está se consolidando na segunda colocação, com entre 20% e 22% dos votos, superando Lavagna, ao conseguir o apoio das classes média e alta da população.   É cada vez mais difícil para os dois levar suas mensagens às camadas de baixa renda, onde se concentra a adesão a Cristina, que também "tem o voto peronista", comentou Grandi, da empresa de consultoria Ipsos-Ibope. "Carrió e Lavagna recebem a maior parte do apoio das camadas de renda média e alta da população nos grandes centros urbanos, onde há mais informação", disse Perechodnik, da empresa de consultoria Poliarquia.   A candidata da Coalizão Cívica "é vista como uma pessoa que começa a ter poder de governabilidade, mas isto não fará com que consiga forçar um segundo turno", explicou.   Rouvier comentou que o povo "não está esperando uma mudança de governo; Cristina Fernández é vista como a continuidade de Kirchner, mas certos setores tentarão impor limites ao poder nestas eleições".   Para o analista, haverá "dois líderes na oposição" após o pleito, em referência a Carrió e ao empresário Mauricio Macri, da coalizão conservadora Proposta Republicana, que foi eleito prefeito de Buenos Aires com 60% dos votos.   Perechodnik comentou que o triunfo de Macri, que assumirá em dezembro, "já foi um sinal" do desejo de limitar o poder governista, e destacou que as decisões do eleitorado da capital argentina "costumam antecipar o que pode acontecer em futuras eleições".   Buenos Aires, cidade tradicionalmente antiperonista, é um dos lugares onde Cristina Fernández terá menos apoio. O analista Rosendo Fraga considera que a atual oposição é a "mais dividida da história argentina" e que nunca havia acontecido de nenhum opositor ter mais de 20% das intenções de voto a poucos dias de uma eleição.   "Apesar de as pesquisas em geral mostrarem certa vantagem de Carrió, o primeiro lugar na oposição é uma questão aberta, embora de resultado simbólico, dada a baixa probabilidade de haver segundo turno", disse Fraga.   As pesquisas dão a Lavagna entre 10,6% e 16,5% dos votos; Saá, governador da província de San Luis (centro), tem entre 4,9% a 9,1%; e López Murphy, entre 1,5% e 4,5%. "Estamos consolidados no segundo lugar", assegurou Carrió à agência Efe, que desmente os pesquisadores em seus cartazes de campanha.   "Nós nos vemos no segundo turno?", desafiam os avisos da candidata da Coalizão Cívica, apresentada como a única concorrente capaz de acabar com o sonho presidencial da primeira-dama.   Lavagna aparecia como o líder da oposição no início da campanha eleitoral, mas os analistas consideram que as suas intenções de voto se estagnaram devido a uma frágil estratégia de comunicação e pelas diferenças internas na UNA, força formada por peronistas rivais de Kirchner e por membros da fragmentada União Cívica Radical (UCR).

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