Petrobras diz que continua negociação com o Equador

Presidente da estatal se recusa a afirmar se a empresa aceitaria permanecer como prestadora de serviços

Alessandra Saraiva, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2008 | 11h07

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou na manhã desta terça-feira, 14, que a empresa continua mantendo conversas com o Equador e com o presidente equatoriano, Rafael Corrêa. Entretanto, Gabrielli não quis tecer maiores comentários se a empresa aceitaria permanecer no país apenas como uma prestadora de serviços, nem mencionou qualquer tipo de indenização que poderia ser pedida pela Petrobras, tendo em vista a nacionalização de suas atividades no Equador.   Veja também: Odebrecht 'lamenta' cancelamento de contratos no Equador   Recentemente, Corrêa ameaçou "expulsar" empresas brasileiras que têm negócios no país, como a Odebrecht e a Petrobras. Corrêa, ao divulgar sua decisão de expulsar a estatal brasileira do Equador, tinha interesse em nacionalizar as atividades da estatal petrolífera naquele país. Na prática, a Petrobras se tornaria uma prestadora de serviços no Equador. "As conversas continuam. Continuamos tendo negociações", disse o executivo.   Na semana passada, o Ministério de Minas e Petróleo do Equador, anunciou ter um pré-acordo para a redefinição de contratos com as empresas petrolíferas Repsol-YPF, da Espanha, e Perenco, da França - que passam de exploradoras do recurso natural a meras prestadoras de serviço para o governo equatoriano. A companhia chinesa Andes Petroleum já havia aceitado renegociar seus contratos nos termos exigidos pelo governo de Rafael Correa. A companhia brasileira explora poços na Amazônia equatoriana, no setor conhecido como Bloco 18. O contrato de concessão foi firmado em 2001 e termina em 2022.   No início de setembro, Correa, ordenou a renegociação de todos os contratos com as petroleiras estrangeiras, que exploram quase metade dos campos do país - que produz 500 mil barris por dia - e ficam com 82% da receita do petróleo. Pelas novas regras impostas pelo governo equatoriano, as operações seriam assumidas pela Petroecuador e as companhias estrangeiras se tornariam prestadoras de serviços. Todo o lucro da atividade ficaria com o Estado, que pagaria às empresas pelos custos de produção, além de uma taxa de uso de infra-estrutura.   O impasse com a Petrobrás ocorre semanas depois de Correa ter expulsado do país e apreendido os bens da construtora brasileira Norberto Odebrecht, sob acusação de que a companhia foi responsável por problemas que resultaram na paralisação da hidrelétrica subterrânea de San Francisco, em junho. O governo do Equador deu ainda um prazo de 48 horas para que quatro funcionários da empresa deixem o país. A ordem tornou-se efetiva por meio da publicação de um decreto assinado no dia 9 pelo presidente Rafael Correa.   (Com Denise Chrispim Marin e Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo)

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