Piedad Córdoba afirma que estado de Ingrid não é tão grave

Colombiana responsável por mediação com Farc diz que correntes no governo são contra acordo humanitário

Efe,

18 de abril de 2008 | 10h45

A senadora colombiana Piedad Córdoba, que atua junto com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, para conseguir um acordo humanitário com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse nesta sexta-feira, 18, que o estado de saúde de Ingrid Betancourt não é tão grave como foi dito. Após afirmar que "ninguém fica bem retido, seqüestrado", Córdoba disse que "as últimas notícias que tenho são de semana passada e é que, em meio a essas circunstâncias, Ingrid está bem, se é que se pode dizer isso".  Veja também:Colômbia descobre base das Farc na fronteira com EquadorMarco Aurélio diz que Chávez é 'o único canal' com as FarcSeqüestrador de Ingrid envia pedido de desculpas a SarkozyConheça a trajetória de Ingrid Betancourt Por dentro das Farc Entenda a crise  Histórico dos conflitos armados na região   A senadora disse que a refém não sofreria, como foi divulgado, de doenças como "hepatite, aids, enfarte". Córdoba fez estas declarações durante seu pronunciamento em um debate no marco da Tribuna Ibero-Americana, organizada pela Casa da América e a Agência Efe na Espanha. Em sua opinião, a situação da ex-candidata à Presidência colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada desde 2002 pelas Farc, é usada "para pressionar a sociedade, para pressionar o governo" a libertá-la. Córdoba considera ainda que essa circunstância é usada "para tentar esconder uma crise interna que é cada vez mais difícil de tapar e ocultar no país". "O governo (da Colômbia) não tem qualquer interesse no acordo humanitário. Se fizesse a metade do que o governo francês faz pela libertação dos policiais e dos soldados, há muito tempo que estariam soltos", acrescentou. A senadora também criticou que o Executivo de Álvaro Uribe "privilegie o resgate militar, que não foi bem-sucedido em nenhum dos casos", sobre a base do que foi o trabalho da campanha eleitoral que levou o presidente à chefia da República, "a saída militar". "Há uma corrente muito forte no governo que não quer o acordo humanitário e isto tem a ver com o pouco interesse em avançar para elementos que poderiam ser ignorados se tivessem possibilitado o acordo humanitário". Sobre o papel de França, Suíça e Espanha no processo para conseguir um acordo humanitário, Córdoba disse que "o que eu sei neste momento é que as Farc tomaram a decisão de que não aceitam mais o acompanhamento da Espanha" por causa do apoio do governo espanhol ao processo de desmobilização dos grupos paramilitares. "É a leitura que eles fazem", acrescentou, para indicar que considera "que é uma decisão de não retorno" e que atualmente "também desqualificam de uma ou outra forma mais contatos com a França por causa do assassinato de Raúl Reyes", o número dois das Farc. No entanto, Córdoba acredita que a "América Latina tem um papel diferente neste processo".

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