Piñera acredita que Brasil pode seguir exemplo do Chile

Presidente eleito considera natural que um líder com popularidade não consiga eleger seu sucessor

Efe,

19 de janeiro de 2010 | 03h06

O presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, citou a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para avaliar sua própria vitória no pleito realizado no último domingo, e insinuou que o Brasil pode seguir o caminho de seu país e mudar da esquerda para a oposição.

 

Para Piñera, é perfeitamente natural que um líder não consiga eleger seu sucessor, mesmo se for muito popular - caso do Chile, onde a excelente avaliação de Michele Bachelet não foi suficiente para que Eduardo Frei, candidato de situação, vencesse o pleito. Além disso, afirma que a popularidade não significa, necessariamente, que não há necessidade de mudanças.

 

"É certo, a presidente (do Chile, Michelle) Bachelet é muito popular e o presidente Lula também, mas não se deve confundir a popularidade de um presidente com a necessidade de mudança de um país", afirmou, em entrevista com jornalistas estrangeiros.

 

"O Brasil terá que tomar seu próprio caminho e eu vou a respeitar naturalmente a decisão democrática que a população do país tomar,mas vou deixar muito claro que uma coisa é a popularidade de um presidente e outra coisa é a necessidade de mudanças que pode experimentar um país, como ficou demonstrado ontem de forma clara (no Chile)", avaliou o presidente eleito, que acredita que o Brasil pode se beneficiar se a oposição vencer as eleições do final do ano.

 

Piñera garantiu que tem "um apreço muito grande" pelos dois principais pré-candidatos presidenciais do país. O governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, lidera as pesquisas à frente da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), provável candidata da situação.

 

"Apesar de a presidente Bachelet ter índices muito altos de popularidade e apoio (que passam de 80%), nós ganhamos limpa e democraticamente a eleição presidencial de domingo. Ficou claro que o Chile queria e precisava de uma mudança", destaca.

Piñera garantiu, durante a mesma entrevista, que o Brasil está entre os primeiros países que vai visita, logo após assumir a presidência, no próximo dia 11 de março.

 

Popularidade de Lula está entre as maiores das Américas

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue entre os líderes mais bem avaliados da América. É o que aponta a pesquisa divulgada na segunda-feira, pelo empresa Consulta Mitfsky. O líder brasileiro subiu dois pontos em relação à lista apresentada em setembro e ocupa o terceiro lugar na lista, que é liderada pelo presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, que tem 91% de aprovação. Logo depois, segue o presidente de El Salvador, com 88%.

 

O relatório também destaca que Lula tem "grande mérito", pois após sete anos poder, ainda se mantém popular. Além disso o documento apontou que a líder chilena Michele Bachelet, que vai deixar o cargo em março, tem 81% de aprovação. Os quatro primeiros líderes tem a avaliação considerada "excelente". Em seguida seguem, com avaliação considerada "alta", estão o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe (64%); o uruguaio Tabaré Vázquez (61%); Evo Morales, da Bolívia (60%); Felipe Calderón, do México (55%).

 

Os líderes com avaliação "média", estão o paraguaio Fernando Lugo, com 50% de aprovação, e o norte-americano Barack Obama 48%.

 

Já os presidentes com a avaliação "baixa" estão Óscar Arias, da Costa Rica, com 44% e o equatoriano Rafael Correa com 42%. E por fim, os chefes do executivo que tem a taxa considerada "muito baixa" são os presidentes do Canadá, Stephen Harper, com 32%; Alan Garcia, do Peru, com 29% ; Daniel Ortega, da Nicarágua, com 26% e no final da lista a argentina Cristina Kirchner, com 19%.

 

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