Ignacio Vasquez/AP
Ignacio Vasquez/AP

Piñera assume presidência em busca de 'unidade nacional'

Renascimento da direita após 20 anos, terremoto e tsunami marcam transição presidencial no Chile

João Paulo Charleaux, de O Estado de S. Paulo,

11 de março de 2010 | 08h02

Quando o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, receber, nesta quinta-feira, 11,, na sede do Congresso, em Valparaíso, a faixa presidencial das mãos do presidente do Senado, Jorge Pizarro, não estará dando início apenas ao primeiro governo de direita depois de 20 anos de hegemonia da esquerda. Ele assumirá também o desafio de reerguer uma das economias mais promissoras da América Latina e restaurar o tecido social de um país abalado pelo quinto pior terremoto já registrado no mundo, que, há dez dias, deixou quase centenas de e desabrigados.

 

A mudança de eixo político e o abalo nas estruturas físicas do Chile mostram a dimensão dos desafios do novo presidente. Estima-se que a reconstrução dure até quatro anos, exigindo do novo governo habilidade para costurar acordos com a oposição, que dominará metade do Congresso e terá a presidência do Senado.

 

Piñera vem repetindo com insistência seu plano de formar um "governo de unidade". Mas, embora a comoção causada pelo terremoto do dia 27 favoreça uma aproximação com a esquerda, setores mais radicais da coalizão governista, a Concertação, vem demonstrando ressentimento com as críticas que Piñera fez a Bachelet. A principal delas é de que o governo demorou ao enviar militares para as zonas mais afetadas.

 

"O importante é se era necessário ou não pedir ajuda às Forças Armadas. Eu acredito que, sim, era necessário e, nisso (na relutância de Bachelet), perdemos 48 horas", disse Piñera. A crítica fez com que funcionários que ocupam cargos de confiança nas duas regiões mais afetadas pela tragédia - Maule e Biobío - resistam em continuar em seus cargos a partir desta quinta.

 

"Há lugares onde essa cooperação se dá de forma espontânea e com muito prazer", disse o ministro do Interior da Concertação, Edmundo Pérez Yoma. "Mas alguns poderão se negar a continuar em seus cargos tendo em vista as duras críticas que foram feitas."

 

Retrocesso

 

O terremoto fez com que as previsões de crescimento do Chile para 2010 caíssem de 3% para 1%. Alguns dos principais setores da economia passarão apuros nos próximos anos. O tremor coincidiu com os meses mais produtivos para a pesca e a agricultura, setores nos quais se concentram 40% do rendimento anual. Mais de 500 mil novas casas terão de ser reconstruídas, além de pontes, estradas, hospitais e escolas.

 

Piñera já anunciou que sua primeira medida como presidente será alterar o orçamento para 2010, melhorar o sistema de alerta de tsunamis, criar regras que facilitem e estimulem doações privadas para a reconstrução do país e estimular os setores da economia que foram mais atingidos pela catástrofe.

 

"A esquerda já disse que facilitará as medidas legislativas vinculadas à reconstrução, mas isso não será sinônimo de um governo de unidade", disse ao Estado o economista e analista político Andrés Palma.

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