Piñera e Frei planejam novas estratégias para 2º turno no Chile

Candidato da direita, que teve 44,05% dos votos, acusa governo de interferir no pleito

EFE,

14 de dezembro de 2009 | 19h52

As equipes eleitorais de Sebastián Piñera e de Eduardo Frei começaram a planejar nesta segunda-feira, 14, suas estratégias para conseguir o apoio majoritário dos chilenos no segundo turno das eleições presidenciais, que será realizado em 17 de janeiro.

 

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Após este domingo, que para o direitista Piñera, o mais votado, terminou em uma festa familiar que durou até as quatro da madrugada, nesta segunda, os dois candidatos deram início a suas atividades muito cedo, com o objetivo de captar eleitores que no primeiro turno optaram pelo independente Marco Enríquez Ominami (20,13%) e pelo esquerdista Jorge Arrate (6,21%).

 

Piñera, que venceu o primeiro turno com 44,05% dos votos, denunciou nesta segunda a "brutal intervenção" do governo para impedir seu triunfo e favorecer seu oponente, o governista Frei.

 

"Houve intervenção eleitoral no Chile. Vi com meus próprios olhos e infelizmente estou preparado para seguir vendo", declarou Piñera, a um grupo de correspondentes internacionais.

 

Dono de uma fortuna pessoal calculada em US$ 1 bilhão, Piñera foi alvo de críticas da Concertación e do próprio candidato governista por seu desempenho simultâneo como político e empresário.

 

Após rejeitar as comparações feitas com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, Piñera advertiu à nova chefe do comando eleitoral de Frei, a até hoje ministra porta-voz do Governo, Carolina Tohá, que se a Concertación se empenhar em seguir atacando-o por seus negócios, "este é o caminho direto para sua derrota eleitoral".

 

O candidato da Coalizão pela Mudança, que reúne os dois principais partidos da direita chilena, assegurou que pensa em revogar a Lei de Anistia aprovada durante o regime militar.

 

Em política externa, Piñera manifestou seu "absoluto respaldo" ao Governo da socialista Michele Bachelet no litígio com o Peru sobre a demarcação da fronteira marítima, e apontou que, se ganhar, pedirá para conhecer o documento que o Chile apresentará em março à Corte Internacional de Justiça de Haia.

 

Além disso, condenou a "quebra da democracia em Honduras" com a deposição de Manuel Zelaya, e expressou seu respeito ao acordo entre Colômbia e Estados Unidos para o uso de bases militares em solo colombiano no combate ao narcotráfico.

 

Por último, Piñera aceitou reconhecer o voto de chilenos que temporariamente moram no exterior e "aperfeiçoar" o sistema eleitoral, enquanto destacou a incorporação do Partido Comunista ao Parlamento, do qual esteve excluído nos últimos 36 anos.

 

Já o ex-presidente Eduardo Frei, que teve um apoio de 29,6% no primeiro turno e incorporou Tohá como sua nova chefe de campanha, que renunciou nesta segunda-feira, 14, ao cargo de ministra porta-voz do Governo, afirmou que não há pausa nesta cruzada.

 

"Esta é uma etapa (o segundo turno) totalmente diferente, muito difícil, mas não tenho nenhuma dúvida do resultado", disse Frei, que foi presidente do Chile de 1994 a 2000.

 

O candidato governista agradeceu o gesto da presidente Bachelet de deixar Tohá partir, embora sua saída do gabinete tenha gerado rapidamente as críticas da direita.

 

"O Governo está se desentendendo de seu trabalho de governar até o final e está mais preocupado com o poder que com os chilenos e esse é um sinal muito ruim",assegurou Juan Antonio Coloma, presidente da ultradireitista União Democrata Independente (UDI).

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