Pisco está praticamente inábitável, diz governo peruano

Mais de 96% das casas serão demolidas; ajuda humanitária tem dificuldades para distribuir alimentos na região

Agências internacionais,

21 de agosto de 2007 | 10h02

Pelo menos 96% das casas do centro histórico de Pisco se encontram em condições inabitáveis, segundo declarou a ministra do Trabalho do Peru, Susana Pinilla Cisneros, ao jornal El Comercio. A cidade foi a mais atingida pelo terremoto de 8 graus na escala Richter.  Veja também: Resgate de corpos em ruínas de hotel peruano preocupa equipeSusana disse ainda que o governo peruano prevê a demolição total das residências ainda nesta semana.O estado das infra-estruturas peruanas após o tremor dificulta as tarefas de distribuição de ajuda, segundo as agências da ONU que colaboram com o governo local para atenuar os danos causados pelo tremor."A logística é um problema agora, e será até maior no futuro por causa do estado no qual ficaram as infra-estruturas", disse em entrevista coletiva a porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (Ocha), Elisabeth Byrs.O exemplo mais notório é o rodovia Pan-Americana, estrada que une a capital do país, Lima, com Pisco, uma das cidades que ficaram mais devastadas. Normalmente o trajeto era feito em pouco mais de duas horas e meia, mas após o terremoto o tempo médio ronda as dez horas."Isso dificulta a distribuição da comida. Não é que não saibamos para onde ir e não estejamos indo; é o tempo que demoramos para chegar", explicou a porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PAM), Christiane Berthiaume.O governo peruano estabeleceu uma ponte aérea entre Lima e Pisco e estuda o estabelecimento de uma linha marítima entre as duas cidades.O PAM já distribuiu 500 toneladas de alimentos graças ao empréstimo de um avião feito pelo Equador.Berthiaume afirmou que outra das dificuldades para distribuir os alimentos é a dispersão das famílias, que ficam perto das ruínas de suas casas para evitar o furto do pouco que restou."Não há relatos de problemas de segurança, mas as pessoas preferem ficar ao lado das ruínas de suas casas, apesar das baixas temperaturas à noite", acrescentou Berthiaume.Crise humanitáriaUm dos maiores problemas médicos existentes são os problemas respiratórios, provocados pela inalação de pó, pois muitas das casas destruídas eram feitas de adobe.No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) está satisfeita com a resposta das autoridades peruanas, por isso, além da equipe enviada de Washington, por enquanto não fará envio de hospitais de campanha ou remédios.A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho aumentou para 3,4 milhões de euros o pedido de fundos para enviar ajuda a 37.500 desabrigados peruanos nos próximos nove meses. Subiu na segunda-feira para 540 o número de mortos no terremoto de quarta-feira no Peru, informou a Defesa Civil, com base em uma estimativa parcial, acrescentando que 503 pessoas foram identificadas. Ajuda internacional  O Ministério de Assuntos Exteriores francês anunciou também uma ajuda 300 mil euros para que o Perusupere as conseqüências do terremoto. A ajuda francesa será dividida entre o envio de material de emergência e o financiamento oficial de projetos de ONGs presentes no território peruano. Diversos materiais chegarão nesta quarta ao Peru e consistem em estações de dessalinização de água e remédios, doados por diversas entidades e instituições francesas. Junto com essa ajuda, a França transferiu pessoal médico e de enfermaria do Corpo de Bombeiros. Além disso, o Ministério de Exteriores financiará projetos de ONGlocais para construir abrigos contra terremotos em zonas rurais atingidas pelo terremoto da semana passada, onde há um grande número de casas destruídas. A Conferência Episcopal italiana destinou 1 milhão de euros para fazer frente à situação de emergência da população atingida pelo terremoto registrado na quarta-feira passada no Peru, segundo comunicado divulgado nesta terça. O dinheiro servirá, entre outros, para apoiar projetos de entidades eclesiais locais, como a Caritas.

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