Plano de Arias para Honduras inclui governo liderado por Zelaya

Mediador da crise política afirma que 'há um mandato de 34 governos para restituição de presidente' deposto

Efe,

16 de julho de 2009 | 16h39

O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que atua como mediador no conflito político em Honduras, disse nesta quinta-feira, 16, que entre suas propostas para a solução da crise estão a formação de um governo de reconciliação presidido pelo deposto José Manuel Zelaya e a aplicação de anistias. Em uma entrevista à rádio Monumental, Arias foi contundente ao afirmar que "há um mandato de 34 governos para a restauração da ordem constitucional em Honduras com a restituição do presidente José Manuel Zelaya", que foi destituído no dia 28 de junho.

 

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O líder costarriquenho acrescentou que se o presidente em exercício, Roberto Micheletti, "diz estar disposto a renunciar para entregar o poder a alguém mais (que não seja Zelaya), essa não é uma solução". Para a segunda jornada do processo de diálogo, que será realizado no sábado, Arias antecipou que verá "se é possível integrar um governo de reconciliação nacional e uma coalizão com ministérios-chave, como o de Finanças ou o de Interior."

 

Ele explicou também que "veremos se podemos falar sobre uma anistia e para quem, sobre crimes políticos". No entanto, advertiu que Zelaya "teria que abandonar sua pretensão de instalar uma quarta urna", nas eleições de novembro, as quais considera não ser necessário antecipar. No dia 28 de junho, Zelaya tinha previsto realizar uma consultapopular, declarada ilegal por várias instituições do Estado, para saber se a população estava de acordo em instalar uma quarta urna nas eleições.

 

A urna perguntaria aos hondurenhos sobre a possibilidade de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte para reformar a Carta Magna, o que a oposição afirmou ser uma tentativa para estabelecer a reeleição e manter-se no poder. Arias convocou as delegações de ambos líderes políticos para o próximo sábado, em sua residência em San José, para a segunda jornada de conversas na busca de uma solução para a crise.

 

"Espero avançar muito, mas também não tenho ilusões, porque há resistências", reconheceu o presidente costarriquenho. Arias lembrou nesta quinta que conta com o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da comunidade internacional em geral, embora tenha esclarecido, sem citar nomes, que "há ciúmes e invejas de que Costa Rica atue como mediador."

 

"Há muita gente na América Latina que não está gostando da mediação da Costa Rica. Convocaram o Grupo do Rio e a mensagem era que Oscar Arias não continuasse intermediando e que os Estados Unidos não participe na solução de Honduras, afirmou.

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