Polícia colombiana trava confronto com índios

Forças colombianas de segurança entraram em confronto na quarta-feira com ativistas indígenas que invadiram uma base militar no topo de uma montanha no sul do país, enquanto críticos recriminavam o presidente Juan Manuel Santos por não oferecer proteção adequada aos soldados.

HELEN MUR, Reuters

18 de julho de 2012 | 20h42

Uma tropa de choque da polícia usando gás lacrimogêneo e veículos blindados enfrentou jovens que atiravam pedras no local, num confronto que deixou pelo menos um manifestante morto e 26 feridos. Foi o segundo dia de violência no departamento (Estado) do Cauca, reduto da guerrilha Farc, segundo relatos da imprensa local e de um grupo indígena.

Nas últimas semanas, a popularidade do presidente Santos, outrora elevada, sofreu uma forte queda devido ao recrudescimento dos ataques das Farc no país. Líderes indígenas têm pedido que a guerrilha e as forças do governo abandonem as montanhas das florestas meridionais da Colômbia, para que os índios possam reconstruir suas vidas após anos de incidentes violentos que mataram dezenas de pessoas na sua comunidade.

Brandindo facões, ativistas indígenas ocuparam na terça-feira uma posição militar no município de Toribio, no Cauca, arrastando com grande algazarra os soldados para fora das suas trincheiras. Rebeldes das Farc haviam alvejado os soldados a partir das montanhas.

"Lamentamos profundamente ter de usar a força para restaurar nossos direitos constitucionais. Isso poderia ser evitado se o Exército atendesse à nossa solicitação na forma devida, e se o governo tivesse ordenado que (os soldados) saíssem", disse em nota a Associação de Conselhos Indígenas do Norte do Cauca.

Um líder indígena de um município vizinho disse à imprensa local que moradores haviam cercado pelo menos 30 soldados, e que uma pessoa foi morta em um posto de controle.

Santos disse que não vai desmilitarizar a área. "Não vamos permitir ataques contra aqueles que estão nos defendendo, nossos soldados", afirmou. "As tropas têm ordens firmes de não cederem um centímetro do Cauca ou de qualquer parte do território nacional."

O presidente deveria viajar ainda na quarta-feira para a região, onde ele esteve na semana passada, prometendo mais segurança e investimentos. Antes da primeira visita dele, helicópteros bombardearam rebeldes nas encostas e removeram explosivos da região.

Na quarta-feira, fotos publicadas nos jornais em que um soldado aparece chorando e outro é perseguido por moradores locais deram munição a críticos do governo que acusam Santos, ex-ministro da Defesa, de estar alheio às necessidades das operações de segurança.

"Será que essa imagem importa para a reeleição de Santos?", questionou o site político La Silla Vacia ("a cadeira vazia") sobre uma foto em que um soldado é arrancado de uma trincheira. Uribe ainda não disse se será candidato em 2014.

O ex-presidente Álvaro Uribe, ex-padrinho político e hoje rival de Santos, disse que no Twitter: "Que triste que a Colômbia esteja voltando à posição ideológica branda contra a violência. Qual é o plano para a segurança se deixam nossos soldados serem humilhados?"

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