Polícia da Venezuela prende 33 por suposta sabotagem no metrô de Caracas

Oficiais afirmam que grupo sequestrou trens; usuários dizem que estavam apenas protestando contra o serviço

Efe,

12 de novembro de 2010 | 20h07

CARACAS- A Polícia Nacional Bolivariana (PNB) deteve nesta sexta-feira, 12, 33 usuários do metrô de Caracas, acusados de "sabotagem" e de "sequestrar" trens. Alguns deles garantiram que só protestavam pelo "mau serviço" prestado.

 

Em um comunicado, o Ministério de Transportes criticou a atitude dos presos. "O Ministério do Poder Popular para Transporte e Comunicações e a Companhia Anônima Metrô de Caracas rechaçam enfaticamente a atitude assumida por algumas dezenas de usuários que sequestraram os trens que operavam em ambos os sentidos da estação Propatria".

 

"Ante a impossibilidade de alcançar por meio do diálogo que o sequestro terminasse, a Polícia Nacional Bolivariana procedeu a detenção de 33 pessoas por suposta responsabilidade neste ato de sabotagem", acrescenta o texto ministerial.

 

"Exortamos os quase dois milhões de pessoas que se deslocam todos os dias nas quatro linhas do metrô de Caracas (...) a não deixar-se levar por quem busca deter os esforços para construir uma sociedade inclusiva e um sistema de transporte para todas e todos", finaliza a nota.

 

O grupo foi transferido à sede da PNB, na zona oeste da capital venezuelana, onde se reuniram dezenas de familiares dos presos, que garantiram que seus parentes se deslocavam para seus locais de trabalho quando foram surpresos pelo protesto.

 

Ainda segundo os parentes, o grupo está sendo assessorado pelo Comitê Usuários do Metrô. A advogada Elenis Rodríguez, que se identificou como assessora jurídica do órgão, garantiu ao canal Globovisión que o presidente do comitê foi agredido na sede da PNB quando tentava verificar denúncias de que os presos estavam sendo agredidos pelos agentes.

 

Alguns agentes "golpearam o presidente do Comitê de Usuários" a mando de "um comissário que não quis se identificar", disse a advogada ao canal privado, e acrescentou que ela mesma teve de abandonar a sede policial "da maneira mais violenta".

 

Entre os detidos encontra-se Jofre Marín, apontado pela advogada como membro do Comitê de Usuários do Metrô.

 

Nas imagens da Radio Caracas Televisión Internacional (RCTV), que captou o momento em que os detidos estavam sendo transferidos para a sede da PNB, são escutadas várias reclamações deles denunciando maus tratos, inclusive Marín.

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