Polícia de Cuba acompanha quarto dia de protestos das Damas de Branco

Dissidentes se manifestam contra a prisão de seus familiares em março de 2003

estadao.com.br

18 de março de 2010 | 15h58

 

HAVANA - As Damas de Branco marcharam pelas ruas de Havana antiga nesta quinta-feira, 17, em homenagem ao 7º aniversário da prisão de seus 75 familiares, enquanto cerca de 350 partidários do governo as contestavam sem usar violência, informou a agência de notícias AFP.

 

"Hoje completam sete anos da prisão de nossos familiares. Não vamos deixar de marchar aconteça o que acontecer. Eles poder tentar o que quiserem", disse a dissidente Laura Pollán, enquanto caminhava com o braço direito engessado, resultado dos enfrentamentos entre os manifestantes e a Polícia na quarta.

 

Dezenas de mulheres vestidas de branco e segurando flores assistiram à missa na igreja La Merced, em Havana antiga. Depois, saíram em marcha silenciosa até serem interrompida pelos grupos castristas. "Nós as confrontamos porque elas estão contra a revolução e vamos defender a revolução até o final. As ruas de Cuba são dos revolucionários. Deixamos que elas marchem, mas vamos repudiá-las", disse Yamile González, uma policial.

 

Entre as Damas de branco está Reyna Luisa Tamayo, mãe do dissidente Orlando Zapata. O opositor de 42 anos morreu no dia 23 de fevereiro depois de 85 dias fazendo greve de fome como um protesto pelas péssimas condições em que se encontram os presos políticos em Cuba.

 

A morte de Zapata provocou uma onda de reclamações da comunidade internacional. A União Europeia, a ONU, os EUA e vários outros países e organizações criticaram o governo cubano por ter permitido a tragédia com o dissidente.

 

Quinta-feira foi o quarto dia consecutivo de manifestação para lembrar a prisão de 75 opositores, numa operação iniciada em 18 de março de 2003, acusados pelo governo em julgamentos sumários de servir a uma potência estrangeira, episódio que ficou conhecido como Primavera Negra. Cuba acusa os dissidentes de serem mercenários a serviço dos Estados Unidos e diz que as críticas internacionais são parte de uma campanha midiática contra o sistema socialista.

 

Genebra

 

Em frente à sede da ONU em Genebra, na Suíça, cerca de vinte dissidentes cubanos se reuniram em protesto ao maltrato sofrido pelas Damas de Branco durante os protestos em Havana. "Elas só protestam pacificamente pela prisão ilegal de seus familiares", disse Orlando Blanco.

 

Um dos organizadores do protesto em Genebra, Reinaldo Gómez, seguiu a mesma linha do colega e disse que "elas foram agredidas pela Polícia política do governo cubano", mas que não é por isso que deixarão de gritar "liberdade, liberdade, liberdade!"

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