Polícia encontra 21 corpos na cidade natal de Calderón no México

A polícia encontrou em Morelia, no oeste do México, os corpos de 21 homens com bilhetes identificando-os como criminosos e advertindo que outros assassinatos vão acontecer, disseram autoridades na quinta-feira.

REUTERS

09 de junho de 2011 | 21h33

As vítimas, com idade estimada entre 20 e 35 anos, foram dispostas em grupos perto da saída da estrada principal para Morelia, capital do Estado de Michoacán, onde o presidente mexicano, Felipe Calderón, nasceu e serviu como governador.

Uma porta-voz da promotoria estadual disse que ainda é muito cedo para dizer quem é o responsável pelos assassinatos. Mais de 38 mil mortes já foram atribuídas à guerra contra os cartéis de drogas que Calderón declarou ao assumir o governo em 2006.

Os bilhetes ameaçadores foram deixados ao lado dos corpos, alguns com sinais de tortura, segundo autoridades. "Já que a sociedade demanda, aqui estão ladrões, assaltantes e estupradores. Outros mais virão", dizia um dos bilhetes.

O Estado de Michoacán, que tem sido assolado pela violência esporádica, é reduto de um dos mais famosos cartéis mexicanos, o La Familia. No mês passado, a polícia disse que conseguiu dar um forte golpe no cartel ao matar 11 suspeitos de pertencer ao grupo e prender outros 36.

O porta-voz da promotoria afirmou ainda que três das vítimas foram mortas com armas de fogo e que as outras aparentemente teriam sido asfixiadas.

A violência provocou uma onda de protestos no México, prejudicando o conservador Partido da Ação Nacional (PAN), de Calderón, e gerando temores de que o turismo e os investimentos no sétimo maior exportador de petróleo do mundo poderão ser abalados.

O índice de aprovação de Calderón recentemente caiu abaixo de 50 por cento pela primeira vez, de acordo com a empresa de pesquisas Mitofsky.

Eleições estaduais em Michoacán acontecem em novembro, e a irmã mais velha do presidente, Luisa Maria Calderón, está entre os possíveis candidatos do PAN ao governado local.

O jornal diário Milenio disse que quarta-feira foi o terceiro dia mais violento desde que Calderón assumiu a Presidência.

(Reportagem de Leovigildo González, em Morelia; e de Dave Graham, na Cidade do México)

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