Jose Miguel Gomez/Reuters
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Polícia peruana reprime protestos contra mineração

Conflito pode ser um significativo revés para Humala, que está tentando mediar mais de 200 conflitos relacionados ao meio ambiente

REUTERS

11 de novembro de 2011 | 07h59

LIMA - A polícia entrou em confronto com manifestantes contrários à mineração em duas regiões peruanas, na primeira vez em que a violência irrompe no país desde a posse em julho do presidente Ollanta Humala, que prometeu aplacar as tensões sociais.

O conflito pode ser um significativo revés para Humala, que está tentando mediar mais de 200 conflitos relacionados ao meio ambiente em todo o país, normalmente opondo pequenas cidades da zona rural a empresas petrolíferas e do setor de mineração que têm projetos estimados em 50 bilhões de dólares para o Peru até a próxima década.

Na região de Ancash, no norte, a polícia lançou gás lacrimogêneo para desobstruir a rodovia Panamericana, bloqueada por manifestantes para chamar a atenção para a poluição que dizem estar sendo causada pelas mineradoras.

Manifestantes invadiram por pouco tempo uma estação de bombeamento de uma área de mineração nas imediações de Antamina, uma das maiores minas de zinco e cobre do mundo, informou um funcionário da empresa. Houve danos à propriedade, mas ninguém ficou ferido e o protesto não prejudicou a produção, acrescentou.

A Antamina pertence à BHP Billiton Ltd, Xstrata, Teck Cominco Ltd e Mitsubishi Corp.

Na região de Apurimac, no sul do Peru, manifestantes entraram em choque com a polícia.

O ministro da Agricultura, Miguel Caillaux, disse que o governo pretende restringir a mineração descontrolada e ilegal perto de rios, para evitar a poluição, mas se recusou a proibir a mineração na área, o que irritou os manifestantes. A polícia lançou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

A mineradora Xstrata, que não era o alvo do protesto, tem dito que iniciará este ano a construção do projeto de exploração de cobre de Las Bambas, em Apurimac, no valor de 4,2 bilhões de dólares.

Humala diz querer grandes projetos de mineração no país, os quais iriam garantir milhões de dólares em impostos para o governo. Mas ele também vem pressionando as empresas a fazer mais em apoio às pequenas cidades da zona rural próximas às áreas de mineração

Ele obteve o apoio do Congresso para duas leis que visam acalmar os ânimos das pequenas comunidades sobre os projetos de mineração e exploração de petróleo: uma delas prevê que as empresas consultem as localidades sobre os projetos e a outra eleva as taxas e royalties sobre a mineração para custear infraestrutura e programas sociais.

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