Policiais rebelados impedem passeata pró-Morales na Bolívia

Policiais amotinados atiraram gás lacrimogêneo contra partidários do presidente da Bolívia, Evo Morales, nesta segunda-feira, quarto dia de protesto dos agentes que reivindicam melhores salários, pedido que, para o governo, encobre uma tentativa de conspiração.

REUTERS

25 de junho de 2012 | 17h56

O confronto ocorreu perto da praça Murillo, em La Paz, onde ficam as sedes do governo e do Congresso. Acuado pelo motim policial e por uma marcha de indígenas contrários à construção de uma rodovia amazônica, Morales descartou recorrer às Forças Armadas para impor a ordem.

"O presidente acompanha de perto os acontecimentos e mantém sua decisão de obter uma solução pela via democrática, evitando qualquer derramamento de sangue", disse a jornalistas a ministra da Comunicação, Amanda Dávila.

Os bancos, que haviam fechado parcialmente na sexta-feira por causa do motim policial, retomaram o atendimento, em alguns casos com seguranças privados.

O policiamento de tráfego, a segurança de edifícios e as patrulhas, entre outros serviços policiais, permanecem paralisados, segundo testemunhas.

À paisana e encapuzados, os amotinados bloquearam os acessos à praça central, atirando gás lacrimogêneo contra camponeses, dirigentes sindicais e comunitários que pretendiam se instalar diante do palácio presidencial para uma vigília de apoio a Morales.

No domingo, uma aparente maioria dos sublevados rejeitou um acordo que os líderes do protesto haviam assinado com o governo e com a cúpula da polícia. Rádios locais relataram uma grande adesão à greve entre suboficiais e policiais de baixa patente no país inteiro.

"Vamos continuar nossa luta, não queremos migalhas, e sim uma real equiparação de salários com os dos militares", disse a jornalistas Guadalupe Cárdenas, líder de uma associação de esposas de policiais que assinou o acordo com o governo e depois voltou atrás.

Os frustrados partidários de Morales, que disseram responder a um chamado governamental para "defender o processo de mudança", denunciaram a "brutalidade" dos policiais amotinados.

"Nossa marcha era pacífica, mas fomos dispersados com gases e paus. Os amotinados não brigam por salários, e sim por coisas políticas", disse à rádio estatal Patria Nueva o líder da Confederação de Camponeses, Roberto Coraite, somando-se à denúncia oficial de um suposto plano golpista.

(Reportagem de Carlos A. Quiroga)

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