'Por que não se cala?', diz presidente do Peru a Morales

O presidente peruano, Alan García, pediunesta terça-feira para o presidente da Bolívia, Evo Morales, secalar, após comentários de Morales que provocaram uma crisediplomática entre os dois países. Usando a famosa frase com a qual o rei da Espanha, JuanCarlos, reprimiu Hugo Chávez, presidente da Venezuela, Garcíalançou um "por que não se cala?" para Morales. O presidenteboliviano irritou Lima ao afirmar que os Estados Unidos teriamuma base militar no país. Depois do comentário, feito no fim de semana, o governoperuano convocou seu embaixador na Bolívia para consultas, eWashington desmentiu a existência de uma base militar no Peru. "Bom, tenho de dizer o mesmo que (o rei) Juan Carlos, daEspanha: 'por que não se cala?'. Meta-se com o seu país, nãocom o meu", disse García a jornalistas. "Morales parece já ter feito o suficiente na Bolívia paravir meter-se aqui", acrescentou García, referindo-se à crisepolítica na Bolívia, onde vários Estados lutam por maisautonomia. O rei da Espanha pediu que Chávez se calasse porque estecriticava duramente o chefe do governo espanhol, José MaríaAznar. A frase rodou o mundo e virou até toque de celular. A tensão entre Lima e La Paz aprofundou a crise diplomáticana América Latina. O Equador e a Venezuela têm tido problemascom a Colômbia desde o fim de fevereiro, quando Bogotá fez umataque em território equatoriano. Os embates andinos também têm um fundo ideológico. Enquantoa Colômbia e o Peru são aliados de Washington na região, aVenezuela, a Bolívia e o Equador criticam duramente o"imperialismo" norte-americana na América Latina. De acordo com a imprensa local, Morales teria afirmado que,diante da recusa da Bolívia e do Equador em acolher basesmilitares norte-americanas, "agora estão levando ao Peru" epediu aos peruanos que os "expulse" de seu território. García afirmou também que Morales estaria apoiando umagreve nacional no Peru, prevista para o dia 9 de julho. "Acho repulsivo que Evo Morales venha aqui apoiar a grevedo dia 9. É algo que deve ser denunciado internacionalmente",disse García. "O Peru...não pode permitir que ele tome essas liberdades,mesmo sendo presidente da Bolívia não pode vir agitar as águasdentro do Peru", acrescentou. (Reportagem de Teresa Cáspedes)

REUTERS

01 de julho de 2008 | 15h19

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