Eduardo Verdugo/AP
Eduardo Verdugo/AP

Porfirio Lobo promete esforço para ter reconhecimento de Lula

Presidente eleito de Honduras quer diálogo para superar crises políticas interna e externa

estadao.com.br,

01 de dezembro de 2009 | 07h25

O presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, disse na segunda-feira, 30, que não vai medir esforços para conseguir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheça as eleições realizadas no último domingo. Lobo disse que fará "um esforço por que se normalizem essas relações (com o Brasil)". "Queria poder ligar para o presidente Lula já hoje. Vamos ligar procurá-lo quantas vezes for necessário para conseguir que nos entenda e nos compreenda", afirmou. Lula manteve-se firme na sua rejeição em reconhecer o resultado da eleição, afirmando que isso representaria um "risco sério" à democracia na América Latina. "Um conspirador de um golpe agiu cinicamente. Ele não tinha o direito de convocar uma eleição", disse Lula a jornalistas durante a Cúpula Ibero-americana, que acontece em Portugal.

Veja também:

Alto comparecimento facilita apoio internacional à eleição em Honduras 

Novo líder hondurenho diz que ''Zelaya é passado'' 

Garcia suaviza discurso e Brasil pode rever posição

Zelaya denuncia fraude eleitoral e critica vencedor 

especialEspecial: Para entender o impasse em Honduras

especialCronologia do golpe de Estado em Honduras

 

O presidente eleito afirma que não sente "urgência" no reconhecimento de seu triunfo pela comunidade internacional, embora tenha dito que fará todos os esforços para que aqueles que não aceitam o pleito mudem de ideia. "Para mim o importante é que esperemos. Não tenho urgência que digam hoje. Eu gostaria que fosse assim, é o ideal, mas se eles consideram que é prudente ter mais tempo, perfeito", disse, em sua primeira entrevista coletiva após o triunfo.

 

Lobo afirma que conversou com alguns líderes internacionais, como o presidente da Costa Rica e mediador na crise hondurenha, Oscar Arias, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, o presidente da Guatemala, Álvaro Colom, e o presidente de El Salvador, Mauricio Funes. "Há vários (presidentes) com quem falamos. Disseram que vão reconhecer, que vão nos ajudar a fazer com que outros nos reconheçam também. É um tema que pouco a pouco vamos resolvendo", disse.

 

No entanto, o presidente eleito lembrou que embora todas as nações sejam importantes, "não há dúvida de que o país mais importante são os Estados Unidos", onde vivem um milhão de hondurenhos, e para onde o país centro-americano envia aproximadamente 40% de suas exportações. A eleição teve o apoio dos americanos.

 

Mais uma vez, Lobo evitou pronunciar-se sobre o futuro do deposto presidente Manuel Zelaya, derrubado no último dia 28 de junho em um golpe de Estado. "É um tema que os dois (Zelaya e o presidente interino Roberto Micheletti) aceitaram que o Congresso decidirá, portanto eu deixo que o Congresso siga atuando. Eu vou olhando em direção ao futuro", afirmou, lembrando da discussão marcada para a próxima quarta-feira. "Logicamente, o que acontece hoje é importante para amanhã. Espero que o Congresso tome a melhor decisão", indicou, sem especificar qual é sua opinião sobre a questão.

 

O novo presidente, que assume dia 27 de janeiro, disse pretender iniciar rapidamente um diálogo também com opositores internos, simpatizantes do presidente deposto, Manuel Zelaya, que já recusaram negociar. Ainda na segunda-feira, Lobo afirmou que "Zelaya já é história, parte do passado". A votação do Congresso sobre a volta ou não de Zelaya está marcada para esta quarta-feira, mas o líder deposto já disse que não aceitaria uma restituição ao cargo.

 

Lobo criticou também o presidente venezuelano, Hugo Chávez, aliado de Zelaya, dizendo que não aceitará "imposições" de outros países. "Nem Chávez nem ninguém se atreva a meter seus narizes em Honduras", afirmou.

 

Segundo a BBC, a crise política em Honduras teve início em 28 de junho, quando o presidente eleito do país, Manuel Zelaya, foi destituído do cargo pelas Forças Armadas, acusado de violar a Constituição do país, e em seu lugar assumiu um governo interino, liderado pelo antigo presidente do Congresso, Roberto Micheletti. A deposição foi condenada internacionalmente e, no final de setembro, Zelaya voltou clandestinamente a Honduras abrigando-se na embaixada do Brasil, onde está desde então.

Tudo o que sabemos sobre:
HondurasBrasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.