Possibilidade de impugnar referendo na Bolívia é descartada

A possibilidade de que o referendorevogatório de 10 de agosto na Bolívia seja impugnado pareceter se dissipado nesta quinta-feira, após oito das nove corteseleitorais regionais terem dito que realizarão a consulta edeixarão de lado as ameaças de impedir sua realização. O anúncio das autoridades eleitorais acontece um dia depoisdo governo de Evo Morales ameaçar processar aqueles queatentarem contra o referendo, do qual o presidente espera sairfortalecido para acelerar sua "revolução democrática ecultural". O único departamento que entrou em dissidência foi odistrito de Santa Cruz -- comandado por um dos maioresopositores de Morales --, cuja corte disse que considerariadeixar sem efeito o anúncio de inconstitucionalidade contra oreferendo. "Mediante algum pedido de suspensão do referendo,assinalamos para que se realize", disse a jornalistas opresidente da corte do departamento de Oruro, David Apaza, aoanunciar o acordo após uma reunião das autoridades eleitoraiscom a Corte Nacional Eleitoral (CNE). As cortes regionais acataram à resolução da CNE, publicadana segunda-feira, de seguir adiante com o processo revogatório,embora ainda discutam a possibilidade de pedir ao Congresso umamodificação de detalhes da lei de convocação para as consultasdo dia 10 de agosto, acrescentou. No referendo, estarão em jogo os cargos do presidente e dovice-presidente, que chefiam um governo indigenista-socialista,e dos governadores de oito dos nove departamentos, cujospedidos de autonomia conseguiram paralisar as mudançasiniciadas por Morales. Um dos que desafiaram o governo é o rico departamento deSanta Cruz, motor da economia boliviana e cuja corte eleitoralnão compareceu à reunião com a CNE. Em comunicado, a corte de Santa Cruz disse que pretendiaenviar ao organismo eleitoral nacional "uma representaçãoinstitucional em resguardo do Estado de Direito", explicandosuas objeções ao referendo. Governadores de oposição podem ficar enfraquecidos noreferendo e teriam que abandonar seus cargos se a maioria votarpela renúncia. (Reportagem de Carlos Alberto Quiroga)

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