Possíveis consequências da moratória do Equador

Rafael Correa anunciou que país não pagará Bônus Global 2012, alegando que dívida foi contraída de forma ilegal

Reuters

12 de dezembro de 2008 | 19h22

O Equador declarou moratória de seu Bônus Global 2012 nesta sexta-feira, 12, sob a alegação de que a dívida foi contraída de forma ilegal por governos passados, levando os investidores a lidar com a segunda moratória em menos de uma década. A decisão do presidente Rafael Correa de não pagar o cupom de cerca de US$ 31 milhões do seu bônus de 2012 significa que os títulos com vencimento em 2015 e 2030 também são considerados em moratória, segundo cláusulas contratuais.    Veja também: Equador critica 'prática política condenável' do Brasil Países sul-americanos devem ao BNDES US$ 1,6 bilhãoConfira alguns dos possíveis cenários que o Equador pode enfrentar após a moratória: PROCESSOS E EMBARGOS DOS ATIVOS EQUATORIANOS Muitos detentores de bônus irão rapidamente entrar na justiça buscando resgatar ativos equatorianos ou congelar contas bancárias mantidas no exterior para o pagamento da dívida. Credores furiosos, que sabem que o Equador possui o dinheiro para realizar os pagamentos, atacariam as reservas estrangeiras em dólar do governo e as exportações de petróleo, o que pode afetar uma importante fonte de receitas do país. O Equador afirmou que está preparado para qualquer ação legal em caso de inadimplência, mas analistas afirmam que detentores de títulos poderiam causar muitos danos à economia do país por meio de embargos. A Argentina ainda está lutando contra processos de detentores de títulos que não concordaram com a reestruturação da dívida depois que o governo declarou moratória em 2002. Em outubro, um juiz congelou fundos de pensão privada da Argentina nos Estados Unidos atendendo pedido de donos de títulos que buscavam pagamento. RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA O Equador pode seguir com as renegociações dos títulos não pagos, pedindo um corte ou redução do valor original dos três bônus que têm volume de aproximadamente US$ 3,8 bilhões no total. Analistas afirmam que o principal objetivo do presidente Correa desde que começou a ameaçar não pagar a dívida é a reestruturação do bônus global para diminuir seus valores e ampliar seus vencimentos. O socialista é conhecido por ser um duro negociador, o que sinaliza que as conversas podem durar anos. Ainda assim, muitos detentores de bônus podem rejeitar uma oferta final de reestruturação e entrar na justiça em busca do pagamento. QUEDA NO INVESTIMENTO EXTERNO E DOMÉSTICO O setor privado do Equador terá dificuldade em ter acesso ao crédito internacional, já escasso pela crise global. Muitas grandes empresas industriais, de agricultura e de serviços podem se mudar para os vizinhos Peru e Colômbia para terem melhor acesso a empréstimos e expandir seus negócios. Companhias estrangeiras de mineração podem ter dificuldades para iniciar projetos maiores no Equador à medida que a desconfiança dos investidores sobre o governo irá atingir os financiamentos. Companhias de petróleo também irão sentir a falta de grandes investimentos, disseram analistas . Menor investimento externo e doméstico afetará uma economia que já vê suas receitas cortadas por conta da queda dos preços do petróleo. Uma economia em declínio pode levar à instabilidade política em um país onde os três últimos presidente caíram por turbulência nas ruas e no Congresso. CRÉDITO MULTILATERAL LIMITADO Muitos organismos multilaterais limitarão seus créditos para o Equador, o que irá aumentar a dependência de empréstimos de nações amigas como a Venezuela, que também enfrenta dificuldades em suas finanças pela queda nos preços do petróleo. Correa já reclamou que o Banco Interamericano de Desenvolvimento atrasou a aprovação de empréstimos para monitorar as ameaças de moratória do governo. Outros órgãos multilaterais, como o Banco Mundial, irão certamente cortar o crédito para o Equador, afirmam analistas. Menos crédito e preços mais baixos do petróleo irão dificultar o financiamento do orçamento nacional de 2009, o que pode significar cortes em gastos sociais que têm sido determinantes para Correa construir sua forte base de suporte popular. O Equador também terá dificuldade por anos para emitir novos títulos da dívida nos mercados internacionais, possivelmente até o início de um novo governo.

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