Povoado boliviano ameaça tomar campo operado por Repsol-YPF

Dirigentes cívicos do povoado bolivianode Camiri, que pressionam o governo de Evo Morales para que"aprofunde" a nacionalização dos hidrocarbonetos do país,ameaaçaram tomar um campo petrolífero operado pela companhiaespanhola Repsol-YPF, informaram jornais locais no domingo. Somente uma intervenção direta do presidente indígenapoderia impedir a radicalização do protesto, disseramrepresentantes de Camiri na noite de sábado, depois que asnegociações que faziam com uma alta delegação governamentalaparentemente chegaram a um beco sem saída. O protesto em Camiri, que fica a cerca de 700 quilômetros aSudeste de La Paz, começou na quarta-feira passada e sua táticaprincipal é o bloqueio da única estrada asfaltada da região,que liga a cidade de Santa Cruz à Argentina. "Se o presidente Morales não resolve pessoalmente nossasdemandas, vamos tomar o campo petrolífero de Camiri e expulsara Repsol-YPF", disse o presidente do comitê de greve de Camiri,Héctor Sánchez, segundo a rádio Erbol. O jornal La Razión disse que houve tensão em Camiri depoisque militares tentaram romper o bloqueio na sexta-feira eentraram em choque com os manifestantes, o que deixou mais devinte pessoas feridas. Depois que as tropas se retiraram, obloqueio foi reforçado. O jornal acrescentou que a delegação governamental,chefiada pelo ministro dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas,continuaria em Camiri até resolver o conflito, sem confirmar seMorales iria ao povoado que, no ano passado, também entrou emgreve por mais empregos no setor petrolífero. Camiri pede, entre outras medidas, que o governo assuma ocontrole total das atividades petrolíferas na região, emespecial as da Repsol-YPF e sua filial Andina. Eles querem quea vice-presidência da petroleira estatal boliviana YPFB seinstale no local. O conflito na região, próxima a um gigantesco gasoduto quevai até o Estado de São Paulo, coincide com os crescentesprotestos dos agroempresários de Santa Cruz contra um decretoque proíbe provisoriamente as exportações de azeite comestível. (Reportagem de Carlos Alberto Quiroga) REUTERS MR DL

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