Prefeito de Caracas pede que Brasil vete Venezuela no Mercosul

Opositor a Hugo Chávez afirma que seria 'muito grave' admitir no grupo um país que possui presidente autoritário

Reuters,

25 de maio de 2009 | 18h00

O prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, da oposição ao presidente Hugo Chávez, pediu ao Senado brasileiro que rejeite a entrada da Venezuela no Mercosul. Em carta enviada ao presidente do Congresso, senador e ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), Ledezma faz um apelo à instituição brasileira. A proposta de integração da Venezuela no bloco tem de ser votada pelo Senado, parcialmente contrário ao projeto de adesão.

"Seria um precedente muito grave admitir no Mercosul um presidente cujas ações demonstram uma escalada autoritária, que não crê nos princípios de mercado, de processo de integração e que insulta o Senado brasileiro chamando seus integrantes de 'papagaios do império americano'", disse o oposicionista na carta à qual a Reuters teve acesso. A carta foi enviada em 11 de maio e protocolada pelo Senado no último dia 18.

A frase de Antonio Ledezma remonta o polêmico episódio em que Chávez acusou senadores brasileiros contrários à proposta de servir aos interesses dos Estados Unidos, na época sob o comando de George W. Bush. Argentina e Uruguai já aprovaram a adesão, mas o assunto ainda está pendente no Brasil e Paraguai.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de boas relações com o líder venezuelano, defende a adesão, mas a oposição e setores da própria base de sustentação de Lula, caso do próprio Sarney, são contra a iniciativa.

Lula encontrará Chávez na terça-feira em Salvador, Bahia. Na pauta, o Mercosul e um empréstimo do BNDES à Venezuela em troca de reservas de petróleo. Segundo fontes da Reuters, José Sarney responderá a Ledezma em breve. A carta enviada pelo prefeito de Caracas, de sete parágrafos, será enviada à análise da Comissão de Relações Exteriores do Senado. A proposta de integração da Venezuela está parada na comissão sem previsão para entrar na pauta.

"O Mercosul já vive dificuldades naturais. Será que é bom ter um novo parceiro com instabilidade interna, novas nacionalizações e com altos níveis de inflação?", questionou o presidente da comissão, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), cujo partido é contrário à proposta. "Não há como dissociar o país de seu presidente", acrescentou.

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