Karel Navarro/AP
Karel Navarro/AP

Premiê renuncia, mas clima continua tenso no Peru

156 foram presos; trabalhadores dos transportes suspendem greve, com medo de repressão

Agências Internacionais

09 de julho de 2009 | 00h16

O primeiro-ministro peruano, Yehude Simon, entregou, na quarta-feira, 8, ao presidente Alan García sua carta de renúncia "irrevogável", na qual assume o "custo político" pelas mortes de policiais e civis no mês passado em enfrentamentos na Amazônia.

 

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"Hoje reitero minha renúncia irrevogável", assinalou Simon em carta apresentada durante o Conselho de Ministros no Palácio de Governo e divulgada pela imprensa estatal.

 

O chefe de Governo tinha manifestado há quatro semanas sua vontade de deixar o cargo e o próprio García havia anunciado nos últimos dias que no próximo fim de semana divulgaria a formação do novo Gabinete.

 

O presidente do Conselho de Ministros, em sua carta de renúncia, fala do que considera as conquistas de sua gestão, mas também lembra "os incidentes de Bagua", onde em 5 de junho enfrentamentos entre indígenas da Amazônia em greve e policiais que tentavam desbloquear uma estrada deixaram 34 mortos.

 

Prisões

 

A jornada nacional de protestos, na quarta-feira, por grupos indígenas, sindicatos e organizações da sociedade civil peruana para exigir do governo mudanças na política econômica paralisou várias cidades do interior do país e registrou alguns incidentes e confrontos com policiais - 156 pessoas foram presas.

 

A Confederação Geral de Trabalhadores do Peru (CGTP) afirmou que as manifestações no centro de Lima reuniram cerca de 3 mil pessoas e seu secretário-geral, Mario Huamán, considerou que a mobilização foi "um êxito", com marchas populares em cidades da costa e da região amazônica, em cidades como Arequipa, Cuzco, Puno, Satipo, Huánuco e outras. Outros protestos são previstos para esta quinta, 9.

 

Pé no freio

 

Um dos principais sindicatos de trabalhadores em transportes do Peru afirmou, no fim da noite de quarta-feira, que não vai participar do segundo dia de paralisações programado para esta quinta-feira, afirmando que o governo do país não dará as garantias necessárias para a sua realização.

 

"Suspendemos nosso movimento, pois poderá haver repressão contra nós. Estão nos negando as garantias de segurança previstas em lei, apesar de as termos solicitado com antecedência", afirmou um dos dirigentes do Sindicato Unitario de Trabajadores del Transporte Terrestre (Suntterp), Felix Gómez.

 

Ele negou que a suspensão dos protestos esteja relacionada com o resultado do primeiro dia de greve, cuja mobilização foi considerada abaixo das expectativas. Gómez afirmou que os trabalhadores "darão uma trégua" ao governo, até que sejam divulgados os resultados das primeiras negociações entre sindicatos e o governo - que já anunciou que fará uma reforma ministerial neste fim de semana.

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