Presença militar dos EUA cresce na Colômbia, mas sem base aérea

A Colômbia não está negociando com os Estados Unidos a instalação de uma base aérea norte-americana em seu território, para o combate ao narcotráfico, mas a presença militar norte-americana deve aumentar, disse na quarta-feira o ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos. Fontes militares dos EUA haviam indicado recentemente que a Colômbia tinha oferecido seu território como alternativa à base de Manta, cuja concessão, que vence em 2009, pode não ser renovada, de acordo com o que afirmou o presidente do Equador, Rafael Correa. "Nem nos pediram a instalação da base nem nós oferecemos", disse Santos a jornalistas em Washington, durante uma visita oficial. Mesmo assim, o ministro afirmou que, se os Estados Unidos precisarem de mais acesso às bases aéreas da Colômbia para combater o narcotráfico, receberão permissão para isso. Santos disse ter conversado sobre os boatos da instalação da base aérea com o secretário norte-americano da Defesa, Robert Gates, mas esclareceu que não chegou a ser um tema da discussão entre os dois. "Base militar não vai haver; incremento das atividades dos Estados Unidos na Colômbia, muito provavelmente", explicou o ministro à Reuters. Santos afirmou ter obtido o apoio das autoridades norte-americanas para reforçar o trabalho de erradicação de lavouras de coca do chamado "Plano Colômbia", mas com a eliminação manual das culturas, e não tanto com a fumigação aérea, fortemente criticada pelo vizinho Equador. De acordo com o ministro, a erradicação manual é mais barata e eficiente, principalmente depois que os narcotraficantes começaram a transferir as plantações de coca para locais mais remotos, para fugir das fumigações aéreas. A Colômbia é o principal produtor de cocaína do mundo e o país que mais ajuda norte-americana recebe. Desde 2000, o país já recebeu cerca de 5 bilhões de dólares em assistência ao combate à guerrilha e ao narcotráfico. Mas o presidente Alvaro Uribe, grande aliado do presidente George W. Bush, foi duramente criticado pela oposição democrata no Congresso norte-americano. Os democratas questionaram a efetividade do plano, já que a produção de coca não diminuiu significativamente.

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