Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Presépio mostra Chávez homenageando nascimento de Jesus

Representação divide venezuelanos; presidente aparece ao lado de figuras como Simon Bolívar

Reuters

09 de dezembro de 2011 | 14h34

CARACAS - Na Bíblia, pastores e sábios prestam homenagem ao recém-nascido Jesus. Na Venezuela, parece que Hugo Chávez também apareceu na manjedoura.

Uma cena de um presépio em Caracas mostrando o presidente socialista em frente à manjedoura transformada em berço provocou polêmica no país politicamente polarizado. "Não tem nada a ver com a Natividade real, com a religião. Não gosto disso", disse Arnaldo Amundaray, que passava pelo local.

Para os partidários de Chávez e os criadores do presépio, a cena é um tributo legítimo e inocente a seu líder. "A intenção é mostrar todos os feitos da revolução porque a mídia silencia sobre as coisas boas que o presidente Chávez tem feito", disse Maria Alejandra Mijares, funcionária do Ministério da Mulher que ajudou a erguer a cena do presépio.

O modelo traz a cena tradicional cristã em destaque, mas também politiza a Natividade prestando homenagem a algumas das políticas mais populares de Chávez durante seus 13 anos de governo.

Para simbolizar suas façanhas na área da infraestrutura, há um teleférico em miniatura até a réplica de uma favela. Os projetos sociais que são bandeiras do governo, como as clínicas de Barrio Adentro, também estão representadas. No meio de tudo - em frente e abaixo do berço de Jesus - está Chávez, perto de Simón Bolívar, o herói da independência americana do século 18. Em outro lugar há uma foto de Chávez segurando uma criança.

"Como o cristianismo, a revolução fala de amor", disse outra funcionária do Ministério da Mulher, Yasmina Ereu. "Algumas pessoas estão fascinadas. Outras não gostam. Mas este é um país democrático, todo mundo pode dar sua opinião."

Chávez, de 57 anos, tem uma filosofia de vida sincrética, saudando tanto Marx quanto Jesus - algumas vezes no mesmo discurso - enquanto apela constantemente ao espírito de Bolívar. Os simpatizantes, principalmente nas regiões mais pobres da Venezuela, costumam exibir um amor quase religioso e fanático ao presidente.

 

Perto do presépio, em uma loja no antigo Hotel Hilton que foi nacionalizado por Chávez há alguns anos, há uma venda de bonecas, camisetas, canecas e outras parafernálias adornadas com sua imagem.

"Cerca de 80% dos venezuelanos estão com ele. Esse processo não vai parar", disse o vendedor Carlos Bonilla. Questionado sobre se as vendas continuariam fortes após a reeleição de Chávez no próximo ano, ele e um casal de amigos riram confiantes e apertaram o botão de um boneco feito na China para que o "comandante" desse a resposta: "Não há dúvida sobre quem tem a maioria na Venezuela!"

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