Presidente argentina é operada com sucesso para retirar tumor

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi operada com sucesso nesta quarta-feira por conta de um câncer na tireoide e se recupera sem complicações após a retirada da glândula afetada, disse o porta-voz do governo.

JULIANA CASTILLA, REUTERS

04 de janeiro de 2012 | 19h36

A popular mandatária de 58 anos, que começou no mês passado o seu segundo mandato de quatro anos, permanecerá internada por 72 horas, no início do tratamento de uma doença cujo anúncio comoveu o país. Ela ficará afastada até 24 de janeiro.

"Durante a cirurgia que durou cerca de três horas e meia foi realizada uma tireoidectomia total segundo o plano preestabelecido, com a paciente apresentando boa recuperação pós-operatória imediata", disse o porta-voz governamental Alfredo Scoccimarro.

Especialistas sinalizam que se trata de uma doença com boas perspectivas de cura total para a mandatária, que venceu em outubro as eleições para um segundo mandato com apoio massivo.

Cristina está acordada e "receberá os cuidados pós-operatórios normais na área de internação geral", acrescentou o porta-voz ao ler um boletim médico.

Na quinta-feira será divulgado um novo comunicado oficial sobre a evolução da presidente, que chegou de helicóptero junto a seus filhos ao hospital onde foi operada.

O anúncio de Scoccimarro foi comemorado por dezenas de simpatizantes da presidente, que se reuniram nos arredores da clínica localizada a 45 quilômetros de Buenos Aires para manifestar apoio e solidariedade à chefe de Estado.

"É nossa presidente e a queremos muito. Estávamos todos ansiosos para saber o que acontecia. Ela é uma grande ajuda para todos nós. Vim aqui e estou orgulhosa de estar aqui e, por sorte, deu tudo certo. Agora é preciso esperar para que se recupere", disse à Reuters Irma Acosta, de 60 anos, funcionária de uma cooperativa.

"Estamos contentes porque ela luta pelo bem-estar de toda a comunidade. Para mim é uma pessoa muito sensível que coloca toda a sua vida em jogo para defender nossa liberdade e nosso bem-estar", disse Margarita Sánchez, uma artesã e docente de 57 anos.

Muitos dos seguidores de Cristina exibiam cartazes com as frases "Força Cristina" e "Prá frente Morocha (morena)".

O hospital estava sob severas medidas de segurança e alguns de seus setores foram fechados para receber a presidente e a sua comitiva.

BOUDOU NA PRESIDÊNCIA

O câncer sem metástase foi detectado durante uma bateria de exames antes do Natal. Durante os 20 dias de licença, ela será substituída em suas funções pelo vice-presidente do país, Amado Boudou.

Não está preciso que Boudou tenha que tomar decisões importantes nesse período, já que os poderes Judicial e Legislativa estão em período de recesso.

Cristina, do dominante partido peronista, começou em 10 de dezembro seu segundo mandato depois de ganhar as eleições com esmagadores 54 por cento dos votos.

O anúncio de sua doença apaziguou as reclamações de sindicatos que provocaram tensão com o governo, em uma espécie de trégua temporal, já que se espera que os sindicatos mantenham suas exigências de alta salarial em linha com a inflação.

A presidente, uma das 20 mulheres mais poderosas do mundo segundo a revista Forbes, foi operada no Hospital Austral, localizado sobre a avenida Juan Perón, em Pilar, ao norte da capital argentina.

Especialistas são muito otimistas sobre sua recuperação e afirmam que mais de 90 por cento dos pacientes conseguem vencer a luta contra o câncer de tireoide.

"É uma patologia relativamente frequente e de muito bom prognóstico... Suponho que vai responder bem", disse à Reuters Oscar Levalle, chefe de endocrinologia do estatal Hospital Durand.

Cristina se junta ao time de líderes latino-americanos que receberam tratamento contra o câncer, como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez; do Paraguai, Fernando Lugo; e do Brasil, Dilma Rousseff.

(Reportagem adicional de Alejandro Lifschitz e Maximilian Heath)

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