Presidente argentina é operada para retirada de tumor

A popular presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, foi submetida a uma cirurgia para a retirada de um câncer na tireoide nesta quarta-feira, meses depois de ser reeleita para um segundo mandato de quatro anos.

JULIANA CASTILLA, REUTERS

04 de janeiro de 2012 | 11h59

Na semana passada, o governo anunciou seu diagnóstico de carcinoma papilar, detectado durante exames médicos rotineiros logo antes do Natal. Os médicos dizem que a presidente, de 58 anos, tem mais de 90 por cento de chances de recuperação.

O diagnóstico atraiu a solidariedade do país onde Eva Perón, esposa do ex-líder Juan Perón e conhecida como Evita, é reverenciada décadas após morrer de câncer, aos 33 anos. Assim como Evita, Cristina é amada pelos seus esforços para ajudar os pobres da Argentina.

A cirurgia começou às 8h20 (horário local), segundo a mídia argentina.

Segurando cartazes com mensagens como "Força, Cristina", dezenas de simpatizantes, que ficaram ao lado de Cristina depois da morte de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, em 2010, se reuniram em frente ao hospital na cidade de Pilar, cerca de 45 km ao norte da capital, Buenos Aires.

"Iniciamos uma vigília ontem na esperança de que tudo corra bem. Estamos apoiando nossa presidente. Estamos do lado dela", disse a dona de casa Rosa Aguirre, de 50 anos.

O vice-presidente Amado Boudou assumiu a presidência durante a licença de 20 dias de Cristina.

Apesar de ser muito popular entre os argentinos que se beneficiam de generosos benefícios sociais, a presidente é criticada por muitos empresários, que acreditam que suas intervenções na economia afastam investimentos.

Ela é mais uma entre os líderes latino-americanos mais alinhados com a esquerda a ser diagnosticada com câncer. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que foi submetido à quimioterapia no ano passado, especulou depois do diagnóstico de Cristina que o "império" norte-americano pode ter desenvolvido uma forma de passar a doença a seus rivais políticos. O câncer linfático do presidente paraguaio, Fernando Lugo, está diminuindo, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está sendo tratado de um tumor na laringe.

VOTOS E SALTO ALTO

Uma oradora talentosa, fã de roupas glamurosas, sapatos de salto alto e maquiagem, Cristina ainda usa o negro porque está de luto por Kirchner.

Muitos achavam que a morte dele marcaria o fim da mistura idiossincrática de intervenção estatal, retórica nacionalista e defesa dos direitos humanos. Mas Cristina ganhou a reeleição por esmagadora maioria em outubro, ajudada pelo crescimento econômico acelerado, que por sua vez foi alimentado em parte pela receita da exportação de grãos.

Ao obter um segundo mandato de quatro anos, com 54 por cento dos votos, ela prometeu permanecer fiel a suas políticas, apesar das queixas de Wall Street e de investidores internacionais sobre sua postura pouca ortodoxa em relação à economia.

A Argentina é um importante exportador de grãos e fornece quase metade do óleo de soja consumido no mundo, usado para cozinhar e fabricar biocombustível. É quase tão forte em farelo, usado para alimentar o gado, e fornece 20 por cento do milho mundial.

Em um momento de tensão crescente com o líder sindicalista mais poderoso do país, Hugo Moyano, o diagnóstico de câncer ajudou a sufocar rumores de uma greve de transportes por demandas de bônus de fim de ano.

A paralisação atingiria o setor de grãos porque a maior parte dos produtos agrícolas do país é transportada por caminhão.

(Reportagem adicional de Alejandro Lifschitz)

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