Presidente boliviano diz que crise ameaça 'Nação Sul-Americana'

O presidente da Bolívia, Evo Morales,avisou na terça-feira que a crise surgida recentemente entre aColômbia e o Equador pode prejudicar de forma grave o processode criação de uma "Nação Sul-Americana" e defendeu a solução doconflito por meio da diplomacia. Morales afirmou que decidiu, devido à suspensão dasrelações diplomáticas entre aqueles países por conta de umataque colombiano contra guerrilheiros acampados em territórioequatoriano, participar da Cúpula do Grupo do Rio que ocorre nopróximo fim de semana na República Dominicana. O líder da Bolívia havia antes descartado a possibilidadede comparecer ao encontro. "No momento em que avançamos rapidamente e em que temosdocumentos capazes de permitir a formação da NaçãoSul-Americana, apresenta-se este problema", afirmou Morales emdeclarações divulgadas por rádios e canais de TV bolivianos. "Por isso quero dizer ao povo boliviano que sou obrigado aviajar para esta Cúpula do Rio", explicou o mandatário, quesuspendeu recentemente uma vista aos EUA e à Europa, além deoutras viagens ao exterior, para enfrentar a complexa situaçãopolítica enfrentada pela Bolívia. Morales é um fiel aliado do presidente do Equador, RafaelCorrea, e do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Chávez também rompeu relações com a Colômbia e determinou oenvio de tropas para a fronteira entre os dois países. Opresidente boliviano, atual líder interino da União das NaçõesSul-Americanas, observou que, depois das cúpulas de Cusco(Peru) e de Cochabamba (Bolívia), previa-se realizar umencontro na Colômbia para constituir formalmente a Unasul,manobra essa agora ameaçada. "Já temos um documento constitutivo da Unasul e estareunião estava prevista para ocorrer nos dias 27 e 28, naColômbia. Agora, na qualidade de presidente interino daentidade, deparo-me com sérios problemas. O Equador não desejaparticipar do encontro, e tampouco a Venezuela", acrescentou. "Queremos chegar a um acordo com os presidentes porque essasituação entre a Colômbia e o Equador, segundo acredito,prejudicará enormemente a integração", disse. Morales, cujo governo declarou oficialmente nasegunda-feira considerar "inaceitável" a violação da soberaniado Equador por parte da Colômbia, defendeu a solução pacíficado conflito, além de um acordo político para colocar fim aoenfrentamento existente entre o governo colombiano e asguerrilhas. "Na Colômbia, sabemos há décadas que existem profundasdiferenças entre os colombianos. Pessoalmente, não creio emsoluções militares, não creio em soluções de confrontaçãoarmada", disse. (Reportagem de Carlos Alberto Quiroga)

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