Presidente boliviano propõe refundação ou morte à OEA

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse no domingo que a Organização dos Estados Americanos (OEA) está no dilema histórico de se "refundar" com uma visão anti-imperialista ou continuar até desaparecer a "serviço" dos interesses dos Estados Unidos.

CARLOS A. L. QUIROGA, REUTERS

04 de junho de 2012 | 08h37

Morales fez a advertência em um discurso combativo com o qual pareceu tornar em um ato de proselitismo a abertura da assembleia anual de chanceleres da OEA na cidade de Cochabamba, em meio a crescentes críticas ao papel do organismo continental.

"Para a OEA, há dois caminhos: morre ao serviço do império ou renasce para servir aos povos da América", disse Morales, constantemente interrompido por aplausos, depois de afirmar que o órgão criado na primeira metade do século passado nasceu como um "ministério de colônias dos EUA", para combater o socialismo.

O presidente boliviano defendeu a "refundação" da OEA poucos minutos após o secretário-geral do organismo, o chileno José Miguel Insulza, ter defendido o órgão como um fórum continental "imprescindível" acima de qualquer crítica.

"Enquanto alguns falam de acabar com a OEA ou de 'superar a OEA', ou de OEAs sem um ou outros países, são cada vez mais os (países) que recorrem à ela, sabendo que aqui encontrarão sempre um espaço de diálogo", disse Insulza.

Morales criticou o papel da OEA no que chamou de "acobertamento" de ditaduras nas décadas passadas e disse que a "refundação" deve incluir o desaparecimento de instituições como o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Da plateia, composta em grande parte de representantes de movimentos sociais de vários países do continente, houve gritos de "Mar para Bolívia, Malvinas para a Argentina", no que Morales aproveitou para dizer que "nem guerras nem invasões dão direitos."

A Bolívia pede há mais de um século a recuperação de uma saída soberana para o Oceano Pacífico, que perdeu em guerra para o Chile. A questão está invariavelmente na agenda das reuniões da OEA desde 1979, quando o órgão declarou o tema de "interesse continental."

As questões de acesso boliviano ao mar e a recuperação das Malvinas para a Argentina serão abordadas na tarde de terça-feira na plenária final da assembleia, que até então concentrou suas discussões sobre uma declaração sobre a segurança alimentar com soberania.

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