Presidente da Assembléia Constituinte do Equador renuncia

Acosta deixa o cargo após rumores de divergências com o presidente; grupo redige a nova Constituição do país

Agências internacionais,

23 de junho de 2008 | 10h39

O presidente da Assembléia Constituinte equatoriana, Alberto Acosta, renunciou inesperadamente ao cargo nesta segunda-feira, 23, por motivos ainda não revelados. A saída foi anunciada a poucas semanas para que se conclua o prazo para a redação da nova Carta Magna, segundo informou o vice-presidente do organismo, Fernando Cordero.   Acosta anunciou sua demissão em meio aos rumores sobre o seu distanciamento do presidente Rafael Correa, que segundo a agência France Presse, espera por uma legislação que o habilite para a reeleição imediata e reforce o poder do Estado na economia. O assessor de imprensa da Assembléia Constituinte, Orlando Pérez, confirmou ao canal Ecuavisa a saída de Acosta. "É certo. Hoje (segunda-feira) revelará sua decisão ao meio-dia."   O vice-presidente afirmou que a notícia foi uma surpresa para todos e que assumirá temporariamente o cargo, pois a Assembléia deve eleger um novo presidente. "Vamos ter quer superar essa situação e estar à altura das circunstâncias todo o bloco do Acordo PAIS, para poder enfrentar essa decisão dura, duríssima", afirmou Cordero à rádio Sonorama. Também membro do governista Aliança PAIS, César Rodríguez informou que os membros da Assembléia receberam um e-mail com a ordem do dia. No texto estava incluído o tema da renúncia de Acosta.   A Assembléia Constituinte trabalha desde o fim de novembro para redigir a vigésima Constituição equatoriana. O texto deve ser entregue nos últimos dias de julho e depois passará pela consulta popular através de um referendo.   Correa criticou publicamente a demora do trabalho da Assembléia. Além disso, apontou que Acosta recebia muitas propostas de diversos setores da sociedade, sem que houvesse a tomada de decisões. Segundo Rodríguez, o presidente da Assembléia Constituinte queria também prorrogar o prazo para a entrega do texto. Outros setores da situação não querem adiar a data. Está previsto um referendo para aprovar a Constituição, em setembro.   Ambientalista e duro crítico do governo, Acosta é um economista de esquerda. Ele deixou o posto de ministro de Energia de Correa para liderar a chapa da situação, tornando-se o membro mais votado da Assembléia na eleição de 30 de setembro.   Matéria atualizada às 13h55.

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