Presidente da Colômbia nega negociação com criminosos

A Colômbia negou na segunda-feira que exista uma negociação com líderes de grupos criminosos responsáveis pelo envio de cocaína para os Estados Unidos e que haja uma onda de violência em várias zonas do país onde há disputas entre narcotraficantes.

REUTERS

20 de junho de 2011 | 16h49

Autoridades dos EUA vêm intensificando seus esforços para combater essas organizações ilegais na Colômbia, formadas por antigos paramilitares de direita.

"Não é correto. O governo logicamente está muito interessado em que os grupos criminosos sejam submetidos à Justiça, isso é uma negociação com a Promotoria, se nós pudermos fazer algo para facilitar isso, faremos com muito gosto", disse o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

"Mas negociação com esses grupos não há, não pode haver, caso se submetam serão bem-vindos, isso me parece muito bom", disse o presidente à rádio Caracol, desmentindo rumores sobre negociações do governo com essas quadrilhas.

Os grupos criminosos preencheram as lacunas deixadas pelos esquadrões paramilitares de ultradireita que se desmobilizaram em meio a uma polêmica negociação de paz com o governo do ex-presidente Álvaro Uribe.

As quadrilhas também aproveitaram a desarticulação dos cartéis de Medellín, Cali e do Norte do Vale, ocorrida em operações conjuntas das autoridades da Colômbia e dos Estados Unidos.

Aquelas organizações colombianas enviam toneladas de cocaína mensalmente para a América Central e México, onde grande parte da droga é comprada pelos cartéis mexicanos, que depois a despacham para os Estados Unidos.

A Colômbia é considerada o maior produtor mundial de cocaína, com cerca de 279 toneladas em 2010, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Apesar dos avanços na luta contra o narcotráfico e do apoio dos Estados Unidos, a atividade continua movimentando milhões de dólares e financiando guerrilheiros esquerdistas.

Desde 2000, a Colômbia já recebeu mais de 6 bilhões de dólares em ajuda norte-americana na sua luta contra as guerrilhas esquerdistas e os narcotraficantes.

Segundo a Polícia Nacional, na atualidade existem na Colômbia sete grupos criminosos emergentes dedicados ao narcotráfico, reunindo cerca de 4.100 combatentes.

O governo afirma que, ao contrário dos paramilitares, que tinham uma motivação política e ideológica na luta contra a guerrilha, os novos grupos só estão dedicados a atividades de narcotráfico.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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