Presidente da Colômbia pede que Farc libertem Ingrid Betancourt

O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe,pediu na sexta-feira à guerrilha Farc que liberte de modounilateral e imediato a ex-candidata presidencial IngridBetancourt, que está gravemente ferida e considera que morrerseria uma "opção doce" para pôr fim ao seu sofrimento. Quatro ex-parlamentares entregues na quarta-feira pelasForças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a uma missãohumanitária organizada pela Venezuela disseram que Betancourtestá muito doente, deprimida e corre risco de morte. "Agora estamos diante de uma angústia, porque ostestemunhos dos libertados confirmam que é grave o estado desaúde da dra. Ingrid Betancourt, que há enfermos", disse Uribea jornalistas. "Com a saúde, com a vida não se pode chantagear, essaschantagens fizeram terroristas como Hitler e agora as Farc, porisso não se pode aceitar", acrescentou. O ex-senador Luis Eladio Pérez revelou que a ex-candidata,sequestrada em fevereiro de 2002, é submetida a maus-tratos,ficou acorrentada a uma árvore e é obrigada a andar descalçapara que não possa fugir, como já tentou em várias ocasiões. "Solicitamos a libertação unilateral, imediata, dossequestrados que têm sua saúde afetada, que estão doentes",disse Uribe, horas depois de ser divulgada uma carta deBetancourt, de 46 anos, mãe de dois filhos, a seu marido, JuanCarlos Lecompte. "Estou cansada de sofrer, de levá-lo por dentro todos osdias, de dizer mentiras a mim mesma e de ver que cada dia éigual ao inferno do anterior", escreveu ela em novembro. "Sinto que a vida de minhas crianças está em stand-by,esperando que eu saia, e seu sofrimento diário faz com que amorte me pareça uma opção doce", afirma a ex-candidata, quetambém tem cidadania francesa. Uribe também pediu às Farc que aceitem a visita de umamissão humanitária internacional que dê atendimento médico aosreféns doentes, e reiterou que dará todas as garantias para queos rebeldes façam novas libertações. As Farc mantêm 40 reféns ditos "políticos", que pretendemtrocar por cerca de 500 guerrilheiros presos. Além disso, hácentenas de outras pessoas sequestradas por motivosfinanceiros. As posições inflexíveis da guerrilha e do governo impedematé mesmo o início do processo que leve à libertação dosreféns, alguns dos quais sequestrados há mais de dez anos naselva colombiana.

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