Jairo Castilla/Reuters
Jairo Castilla/Reuters

Presidente da Colômbia questiona estratégia global contra as drogas

Em encontro sobre o tema, Santos se diz preocupado com possível uso medicinal da maconha na Califórnia

Reuters,

26 de outubro de 2010 | 22h06

CARTAGENA, COLÕMBIA- Colômbia, México e sete países centro-americanos iniciaram nesta terça-feira, 26, uma cúpula para coordenar esforços que permitam enfrentar com sucesso o narcotráfico e as mudanças climáticas, dois dos principais problemas que afetam a região.

 

Participam do encontro presidentes ou delegados de México, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Panamá e República Dominicana.

 

"O problema mundial das drogas ilícitas, infelizmente, mais do que desaparecer se desloca, e agora testemunhamos com preocupação sua exacerbação em outros países da região", disse o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, durante a abertura da 12ª Cúpula do Mecanismo de Diálogo e Acordo de Tuxtla.

 

"Os criminosos são cada vez mais sofisticados, desenvolvem redes transnacionais para manter seus negócios e escapar da lei, e cabe a nós, como Estados, estabelecer redes sólidas e efetivas de cooperação para enfrentá-los e barrá-los", acrescentou.

 

Santos insistiu que a luta contra o narcotráfico deve ser uma responsabilidade compartilhada de todos os países para proteger seus cidadãos, e se mostrou preocupado com o referendo a ser realizado na semana que vem na Califórnia, a respeito da legalização do uso recreativo da maconha.

 

"Eu me pergunto se a oitava economia do mundo, que promove com tanto êxito sua tecnologia de ponta, seus filmes e seus bons vinhos, vai permitir então a importação de maconha para o seu chamativo mercado", disse Santos.

 

"Se não atuarmos de maneira consistente neste assunto, se tudo o que estamos fazendo é enviar nossos concidadãos à prisão enquanto em outras latitudes se legaliza o mercado, então devemos nos perguntar: não é hora de rever a estratégia global frente às drogas?", questionou Santos.

 

Ele acrescentou que a Colômbia -- maior produtora mundial de cocaína e receptora de uma bilionária ajuda antidrogas dos Estados Unidos -- tem autoridade moral para fazer exigências.

 

Já o presidente do México, Felipe Calderón, alertou sobre os riscos do narcotráfico e da criminalidade em toda a região.

 

"Nossos povos padecem do flagelo não só do narcotráfico, mas também do crime organizado transnacional, que é a maior ameaça que afeta nossa região", afirmou Calderón, que desde que tomou posse, no fim de 2006, mobilizou as Forças Armadas para combater os cartéis de drogas.

 

Mais de 29 mil de pessoas já morreram por causa da violência associada às drogas desde então.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.