Presidente da Venezuela modera discurso após derrota nas urnas

O presidente venezuelano, Hugo Chávez,brecou seus esforços para criar uma sociedade socialista,reformando seu gabinete de governo e prometendo criar pontos decontato com os líderes empresariais do país depois de umaderrota inédita na eleição realizada em dezembro. Chávez promoveu grandes mudanças em sua equipe de governona quinta-feira à noite, prometendo dar menos atenção àideologia e fazer mais para resolver problemas como as altastaxas de criminalidade e as crises de abastecimento, quepreocupam os venezuelanos. No começo desta semana, o dirigente perdoou opositorespresos ou processados pela participação num golpe de 2002 que otirou do poder durante um curto período de tempo. E agora Chávez defende a realização de uma aliança com aclasse média do país, afastada devido à retórica dura dele e asuas políticas de combate à pobreza. O presidente, um ex-pára-quedista das Forças Armadas e umcrítico contumaz dos EUA, até afirmou que deseja trabalhar aolado da comunidade empresarial com quem tantas vezes ralhou. "Os empresários, essa burguesia do país... Nós realmenteprecisamos tentar ajudá-los a sentirem-se parte desta nação",afirmou na noite de quinta-feira. "Mesmo se são empresários ese são ricos, temos de convencê-los a investirem no país." Muitas empresas venezuelanas mostram-se insatisfeitas com orígido controle de preços que provocou a falta de algunsprodutos, com as fiscalizações agressivas dos órgãos dearrecadação de impostos e com os insultos lançados pelo governoChávez. O elemento catalisador do tom mais ameno adotado pelopresidente no Ano Novo foi a rejeição, pelos eleitores, de umpacote de reformas que teria permitido ao dirigente reeleger-seindefinidamente e que teria aumentado os poderes dele a fim depermitir-lhe implantar reformas socialistas. Chávez substituiu seu combativo vice-presidente naquinta-feira à noite e tirou de seus cargos quase metade dosministros, entre os quais o novo ministro das Finanças e oministro da Mineração. Roberto Cabezas, o ministro demissionário das Finanças,comandou a pasta durante um período de inflação na casa dosdois dígitos, o que minou o forte ritmo de expansão econômicada Venezuela. DÚVIDAS DA OPOSIÇÃO Apesar de ter recebido bem o perdão para os envolvidos natentativa fracassada de golpe, os opositores não confiam emChávez e vêem com o pé atrás o tom mais ameno dele, afirmandoque o dirigente pretende reavivar o programa de reformaspolíticas derrotado no plebiscito do mês passado. "Eles desejam criar uma atmosfera de prosperidade, paz ecompreensão para verificar se ainda conseguem realizar asreformas, desta vez por meio de negociações e não por meio daimposição delas", afirmou Ricardo Sucre, que fez campanha pelaoposição na eleição passada. Alberto Ramos, economista da Goldman Sachs, disse que oresultado do plebiscito de dezembro mudou a postura de Chávez. "Chávez soa agora mais flexível e receptivo", disse Ramos,em um boletim. "Mais sintonizado com os problemas sociais emacroeconômicos enfrentados pelo país." (Reportagem adicional de Brian Ellsworth)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.