Presidente de Honduras adia encontro com embaixador dos EUA

Zelaya toma decisão 'em solidariedade com o povo da Bolívia', cujo representante foi expulso de Washington

Efe,

12 de setembro de 2008 | 17h58

Em solidariedade à Bolívia, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, suspendeu nesta sexta-feira, 12, um encontro previsto com o novo embaixador dos Estados Unidos, Hugo Llorens, que deveria apresentar suas cartas credenciais. O presidente da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), Raúl Valados, um dos colaboradores mais próximos de Zelaya, declarou à imprensa que o presidente Zelaya "tomou a decisão de se solidarizar com o povo da Bolívia." Veja também:EUA expulsam embaixador venezuelano de Washington Sobe para 14 o número de mortos em conflitos na BolíviaMissão diplomática brasileira para Bolívia segue indefinida Manifestantes bloqueiam fronteira com o Brasil em MS  Chávez expulsa embaixador dos EUA da Venezuela Entenda os protestos da oposição na BolíviaEnviada do 'Estado' mostra imagens dos protestos na Bolívia Imagens das manifestações   "O governo de Honduras está postergando um pouco a apresentação das cartas credenciais" de Llorens, confirmou à "Radio America" Valados, que até esta terça-feira era secretário privado do governante hondurenho. O governo hondurenho convocou uma coletiva de imprensa na Casa Presidencial para dar detalhes sobre esta medida. Segundo Valados, a decisão de Zelaya está de acordo com a posição defendida pelo país que é membro da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), à qual Honduras aderiu em 25 de agosto passado e que também é integrada por Cuba, Venezuela, Nicarágua, Bolívia e Dominica. Além de ser um gesto de "solidariedade" com a Bolívia, a suspensão foi decidida também porque Zelaya deve discutir o estado das relações bilaterais com as autoridades dos EUA, país para o qual viajará nos próximos dias para ir à Assembléia Geral das Nações Unidas em Nova York. Valados lembrou que com o embaixador americano anterior, Charles Ford, "houve bastante tensão" devido às suas declarações sobre assuntos como o narcotráfico em Honduras. "Zelaya quer saber qual será a posição dos EUA referente a Honduras" no futuro, disse. Llorens chegou nesta sexta a Tegucigalpa e a apresentação de suas credenciais tinha sido anunciada tanto pela Casa Presidencial como pela embaixada americana. A decisão de Zelaya foi anunciada inicialmente por emissoras locais e até por uma mensagem de texto enviada por ele mesmo aos telefones celulares de alguns jornalistas e, finalmente, foi confirmada por Valados. A Bolívia recebeu também o respaldo da Venezuela e Nicarágua, que apóiam seu choque com os EUA, que são acusados de se intrometer em seus assuntos internos. Tanto a Bolívia como a Venezuela expulsaram os embaixadores americanos em seus países.

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