Presidente de Honduras critica EUA e não cederá a pressões

Hillary Clinton pediu calma e classificou a volta de Zelaya como oportunidade para encerrar impasse político

Danielle Chaves, Agência Estado

22 de setembro de 2009 | 15h04

O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, deu sinais de que não cederá às pressões dos EUA e de outros governos para uma solução negociada à crise no país. Ele pediu ontem que o Brasil entregue o presidente deposto Manuel Zelaya, que está na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

 

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Micheletti fez duras críticas à secretária de Estado, dos EUA, Hillary Clinton, e ao presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que podem dar margem a temores de que o Exército possa ser ordenado a atacar a embaixada brasileira na capital de Honduras.

 

"Vamos esperar pelo bem de dona Hillary (Clinton) e do senhor (Oscar) Arias, depois do prazer que tiveram com a chegada de Zelaya aqui, que não haja consequências a lamentar", disse. "Eu não vou frustrar o povo hondurenho que não quer nada com Zelaya e com a intervenção e a imposição de outros países."

 

Em Nova York, Hillary Clinton pediu calma e classificou a volta de Zelaya a Honduras como uma oportunidade para encerrar quase três meses de impasse político. Antes da sessão da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, Hillary se reuniu com o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que tentou intermediar a negociação entre Zelaya e o governo interino de Honduras em julho.

 

"Agora que Zelaya voltou seria oportuno recolocá-lo em sua posição sob as circunstâncias adequadas, seguir com a eleição que está marcada para novembro, ter uma transição pacífica da autoridade presidencial e levar Honduras de volta à ordem constitucional e democrática", disse Hillary.

 

Ontem à noite, Micheletti afirmou à televisão hondurenha que Arias não tem mais um papel como mediador na crise. "Acho que Arias não tem absolutamente mais nada a ver com este conflito", disse Micheletti. "Seu papel acabou, no momento em que Zelaya chegou ao país sem qualquer mediação ou acordo", acrescentou.

 

A Organização dos Estados Americanos (OEA), associação pan-americana que suspendeu Honduras depois do golpe, pediu que os líderes interinos garantam a segurança de Zelaya durante uma sessão de emergência. "Eles tem de ser responsáveis pela segurança do presidente Zelaya e da embaixada brasileira", disse o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, em comunicado. Insulza disse que está pronto para viajar a Honduras assim que possível, provavelmente nesta terça-feira.

 

A presidência da UE pediu um acordo negociado e exortou todas as partes a evitarem a violência.

Horas depois das declarações de Hillary, soldados com máscaras usaram gás lacrimogêneo para dispersar cerca de 4 mil partidários de Zelaya antes de cercarem o complexo da embaixada nesta manhã.

 

A polícia e o Exército cercaram o prédio da embaixada na madrugada de hoje. Bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha foram usadas contra os simpatizantes de Zelaya que se reuniam em frente ao prédio. Ao menos duas pessoas morreram nos confrontos. Água, luz e telefone do prédio foram cortados. Segundo Zelaya, francoatiradores também cercam o edifício.

 

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